Recife, 12 (AE) - Manuel Costa, arrendatário da Destilaria Liberdade, invadida ontem (11) por cerca de mil sem-terra ligados ao MST, prestou queixa-crime na delegacia de Escada, na zona da mata, e amanhã (13) de manhã dá entrada a uma ação de reintegração de posse na justiça.Sua expectativa é de conseguir uma liminar ainda nesta semana, a fim de retirar os sem-terra que estão acampados em barracas cobertas de lona preta, em frente à sede da destilaria.
Costa considera a ocupação "um ato de terrorismo", já que se trata de uma indústria que funciona e está em dia com os 140 funcionários. Ele colocou 40 homens para garantir a segurança dos equipamentos e dos 8 milhões de litros de álcool estocados na área. O clima no local é pacífico. Os sem-terra cantam e fazem discursos pelo alto-falante do carro de som.
O secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento Social, José Arlindo Soares, disse hoje que o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) está preocupado com essa nova tática do MST de invadir áreas produtivas e industriais. "O que esperamos é que se trate apenas de uma tática para chamar a atenção para as reivindicações do movimento", afirmou Soares.
Segundo ele, o governo estadual está aberto ao diálogo com o MST e pretende discutir com o Incra e o governo federal uma forma de acelerar a reforma agrária em Pernambuco. O secretário anunciou a destinação de R$ 5 milhões de recursos do Banco Mundial, ainda neste mês, para melhorar os assentamentos existentes no Estado, incluindo os coordenados pelo MST.
A assessora da superintendência regional do Incra, Patrícia Queiroz, afirmou que a invasão do parque industrial da destilaria é um problema da justiça. "O Incra não tem como atuar nesse assunto, não se trata de uma terra improdutiva passível de desapropriação", afirmou ela.

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