São Paulo, 30 (AE) - O juiz da 18.ª Vara Cível de São Paulo, Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, disse hoje que o arrendamento das lojas do Mappin, cuja falência foi decretada quinta-feira, depende de aprovação do Ministério Publico e do representante dos credores, Alexandre Carmona. O Grupo Pão de Açúcar já demonstrou interesse na loja da Praça Ramos de Azevedo. O juiz informou que desconhece oficialmente as negociações, mas elas podem continuar.
Em uma audiência de 50 minutos com uma comissão de funcionários do Mappin e dirigentes do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, liderados pelo deputado federal Luiz Antonio Medeiros (PFL-SP), o juiz manifestou a disposição de autorizar o prosseguimento das atividades do Mappin, desde que haja amparo legal.
Ele disse que não pôde evitar a decretação da falência em razão dos 400 pedidos. As dívidas da empresa, segundo ele, chegam a R$ 1 bilhão e não havia como retardar mais a decisão.
O advogado do Mappin, Tadeu Luiz Laskowski, informou que estuda medidas contra o decreto de falência. Isso será decidido segunda-feira. É possível que o Mappin impetre mandado de segurança no Tribunal de Justiça com pedido liminar para suspender a falência.
De acordo com Medeiros, o Pão de Açúcar e outros interessados em arrendar as lojas devem fazer pedido à Justiça.
Empregos - Medeiros explicou que os arrendamentos futuros devem garantir os empregos. O juiz vai fazer liberar o Fundo de Garantia de todos os funcionários e fazer a baixa nas carteiras profissionais para que os empregados possam receber as indenizações e serem readmitidos posteriormente.
O deputado avaliou que essa decisão é um grande avanço, pois permitirá a liberação do dinheiro que, dentro dos processos de falência, costumam demorar de 7 a 8 anos. As lojas lacradas, entretanto, só serão reabertas no fim dos processos de arrendamento.
Passeata - Cerca de 1.500 funcionários do Mappin fizeram passeata entre a Praça Ramos de Azevedo e o Fórum da Praça João Mendes para conversar com o juiz Giffoni Ferreira, que decretou a falência da rede, e convencê-lo a voltar atrás.
O vice-presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, informou que hoje foi lacrada a loja do Mappin no Shopping Center Plaza Sul. Os 131 funcionários foram orientados a deixar o local pacificamente e engrossar a passeata. Com essa, já são três as lojas do Mappin lacradas: Praça Ramos, Itaim e Plaza Sul.
O sindicato informou que, caso não consigam entrar em acordo com o juiz, pretende apelar ao governador de São Paulo, Mário Covas, e até ao presidente Fernando Henrique Cardoso.

mockup