A revolução educacional em Nova Olímpia começou em 1992, quando diretores e professores, alarmados com os altos índices de evasão e repetência, começaram a visitar a casa dos alunos para tentar descobrir os motivos. Acabavam encontrando outras crianças que não estavam matriculadas.
Foi quando tiveram a idéia de fazer o que chamam de ‘‘arrastão’’. Começaram a visitar todas as casas para matricular as crianças. Desde então, o arrastão é feito todo ano. No início do ano letivo, professores e funcionários da rede de ensino vão de casa em casa fazendo as matrículas.
Como só matricular não resolvia, cada aluno passou a ter acompanhamento individual. Se desiste, começa a faltar ou tira notas baixas, o professor vai à casa dele saber o que está acontecendo. ‘‘Vamos atrás do aluno quantas vezes for preciso e seja qual for o problema tentamos resolver’’ diz a professora Ângela Zaupa, diretora do Núcleo Avançado de Ensino Supletivo.
Na ‘‘caça’’ as crianças em idade escolar, os professores também encontraram muitos adolescentes e adultos que não puderam estudar no tempo certo e que se empolgaram com a idéia de voltar à escola.
Para essa clientela especial, boa parte da zona rural, o Departamento de Educação implantou cursos supletivos noturnos de 1ª a 4ª série nas cinco escolas rurais. Agora conseguiu também o curso supletivo para alunos de 5ª a 8ª série.
O município também passou a oferecer maternal e pré-escola. Cerca de 400 crianças com idade entre três e cinco anos já frequentam as salas de aula. ‘‘A pré-escola foi fundamental para reduzir os indíces de evasão e repetência no primário’’ diz a secretária de Educação, Rosângela Magrinelli.
Com tantos alunos, a prefeitura de Nova Olímpia teve que investir pesado para melhorar a estrutura da rede de ensino. Prefeito da cidade entre 1992 e 96, o empresário Luiz Sorvos chegou a gastar até 50% da arrecadação mensal do município com educação, sem contar as despesas com transporte escolar.
O novo prefeito, Sidnei Apolônio, segue o mesmo caminho. Foram costruídas mais cinco salas de aula, a pré-escola, e um prédio novo para a creche - que atende agora mais de 600 crianças -, além dos cursos supletivos e turmas especiais.
Com uma propulação estimada em 5,8 mil habitantes, a maioria bóias-frias, o município tem hoje quase 1.800 estudantes. São cerca de 700 alunos nas turmas de 1ª a 4ª série, quase 400 no maternal e pré-escolar, cerca de 350 turmas de 5ª a 8ª série e outros 470 alunos de todas as idades nos cursos supletivos de 1ª a 8ª série. A estrutura criada no município já está atraindo também estudantes de municípios vizinhos, interessados subretudo no ensino supletivo, que não existe nas outras cidades na região.

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