Arraes ameaça substituir PMs em greve
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quinta-feira, 24 de julho de 1997
Agência Folha Recife 
O governador de Pernambuco, Miguel Arraes, endureceu o diálogo com os policiais em greve e anunciou ontem que vai substituir os PMs grevistas e cortar o ponto dos policiais civis que não retornarem imediatamente ao trabalho.
A substituição dos PMs deverá ser precedida pela decretação de situação de emergência no sistema de segurança pública do Estado. Com a medida, o governo passará a ter autonomia para contratar novos policiais sem concurso e poderá mantê-los trabalhando por até um ano. Nesse período, seria concluído o processo de seleção por concurso público e os grevistas seriam enquadrados por crime de deserção. O Código Penal da PM classifica como desertor o policial que se ausenta do trabalho, sem justificativa, por mais de oito dias. A paralisação dos PMs completou ontem dez dias.
Como estratégia para tentar descaracterizar a deserção, a Associação dos Cabos e Soldados passou a elaborar atas de suas assembléias, assinadas por todos os militares presentes.
Com isso, a entidade pretende comprovar que os grevistas não estão em local incerto e não sabido e, assim, justificar a ausência em seus postos. O governo informou que chegou ao limite de suas possibilidades financeiras e afirmou que não negociará qualquer reivindicação que resulte em gastos superiores aos da proposta recusada anteontem pelos grevistas.
Os policiais passaram o dia de ontem reunidos em frente à Assembléia Legislativa e, às 18 horas, decidiram apresentar uma nova contraproposta ao governo.
A nova reivindicação prevê o reajuste linear de 50% sobre o salário bruto de todos os PMs, independentemente de patentes. Com isso, o salário dos soldados passaria de R$ 283 para R$ 424,50 e dos coronéis, de R$ 2.313,09 para R$ 3.469,63. Pela proposta do governo, os soldados receberiam R$ 412,21 e os coronéis, R$ 2.630,30.
Em comunicado à população divulgado ontem, o governo informou que manteria sua proposta de reajuste e explicou que a muito custo vinha reservando recursos para o pagamento do 13.o salário. Uma elevação ainda maior de despesas com pessoal vai comprometer até mesmo o pagamento dos salários dos servidores estaduais, afirma o comunicado.
No documento, o governo informou ainda que esperava o retorno dos militares aos seus postos e ameaçou: Caso isso não ocorra, não terá o governo outra alternativa senão adotar medidas imediatas para preencher os postos que estão desocupados na Polícia Militar e nos Bombeiros. Os PMs em greve reafirmaram sua disposição de não retornar ao trabalho sem um reajuste salarial que considerassem digno. A Associação dos Policiais Civis informou também que não vai suspender a greve por causa da ameaça de corte de ponto.


