Rio, 07 (AE) - A Arquidiocese do Rio está preocupada com a segurança dos fiéis que vão à Missa do Galo e vem orientando as pessoas a andar em grupos para evitar assaltos. As missas da noite de 24 de dezembro, que vinham sendo antecipadas por muitas paróquias por causa da insegurança na cidade, este ano deverão começar às 23h45, por determinação do cardeal-arcebispo, d. Eugenio Sales. O objetivo é que, à meia-noite, todos possam assistir ao "Canto de Glória", que rememora a passagem da Bíblia em que os anjos anunciam o nascimento de Jesus Cristo.
"Recomendamos que ninguém venham à igreja desacompanhado, porque assim os fiéis ficam mais vulneráveis à ação de assaltantes e de pessoas embriagadas", disse d. Augusto José Zini Filho, bispo auxiliar. Segundo ele, a maioria das pessoas costuma ir à missa a pé, já que escolhem paróquias no bairro onde moram. "Todos se sentem mais seguros quando estão em grupo", afirmou d. Augusto. "Quem se locomover de carro deve ser solidário e dar carona aos vizinhos", recomendou.
Mesmo com os altos índices de violência, a Igreja acredita que o número de fiéis que frequentam as missas de Natal não diminuiu. Na Catedral de São Sebastião, no centro, a missa que é rezada por d.Eugenio Sales sempre à meia-noite tem recebido cada vez mais fiéis, de acordo com o cardeal. A Arquidiocese não pediu o deslocamento de policiais para as proximidades das paróquias na noite de Natal.
Segurança - O policiamento na área da catedral é considerado "discreto" pelos religiosos, sendo intensificado apenas no culto do dia 25, quando se dará início o chamado "ano santo", com missa também celebrada por d. Eugenio. "Neste dia há uma concentração muito grande de católicos, então é necessário uma maior organização", disse o bispo auxiliar.
A Cúria determinou que os padres das 239 paróquias e 633 capelas da cidade não antecipem as cerimônias. "Existe insegurança, é claro, mas esta é uma ocasião especial, por estarmos comemorando os 2 mil anos de nascimento de Cristo, então devemos realizar as missas no horário correto", disse d. Augusto.
Ousadia - Em outubro, d. Eugenio afirmou que vinha enfrentando problemas com traficantes de favelas cariocas, que ameaçaram padres de algumas paróquias. "Se um padre irritar alguém, pode acabar morto", disse, na época. O cardeal quase transferiu um religioso que havia sido jurado de morte por uma quadrilha, e só não o fez porque o próprio resolveu ficar no local. "Não podemos arriscar vidas", afirmou d. Eugenio.

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