Arquidiocese de SP aposta em doações de empresários para pagar reforma da Catedral da Sé
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quarta-feira, 14 de julho de 1999
Por Rogério Wassermann 
São Paulo, 15 (AE) - A Arquidiocese de São Paulo quer arrecadar doações de empresas para pagar a reforma e a conclusão da Catedral da Sé, no centro de São Paulo. A catedral permanece há uma semana interditada pela Prefeitura por falta de segurança. Inaugurada em 1954, a Sé nunca teve seu projeto original concluído. A Igreja pretende receber doações por meio da Lei Rouanet, que prevê renúncia fiscal em favor de empresas que façam doações a projetos culturais. O projeto de reforma e conclusão da Catedral da Sé, orçado em R$ 16 milhões, recebeu ontem (14) parecer favorável do órgão técnico do Ministério da Cultura.
"Não tínhamos como enfrentar sozinhos a restauração e a conclusão da catedral, mas com a aprovação do nosso projeto pelo Ministério da Cultura isso será possível", anunciou hoje o arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes. Segundo ele, a Arquidiocese ainda estuda a forma de compensação aos futuros doadores. "Não costumamos, em tempos normais, abrir espaço para publicidade, mas nesse caso se trata de uma possibilidade prevista num instrumento legal, que é a Lei Rouanet", afirmou, acrescentando que não considera "impossível" a instalação de outdoors ou espaços publicitários no interior ou na fachada da catedral.
D. Cláudio Hummes considerou uma coincidência o fato de a aprovação do projeto ter ocorrido uma semana depois da interdição da catedral. "Há um cronograma dentro do ministério e não vão apressar nada por ter acontecido um fato dessa ordem"
alegou. Segundo ele, a audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na terça-feira, na qual foi pedido apoio ao projeto, já havia sido marcada antes da interdição da igreja. O cronograma das obras vai depender, segundo o arcebispo, do volume de doações. "Confiamos no amor dos empresários pela cidade", disse.
Além da reforma da Catedral da Sé, outras obras de restauro de monumentos e igrejas foram incluídos no projeto, que tem como argumentação o preparo desses edifícios para as comemorações dos 500 anos do descobrimento, no ano que vem. Entre os projetos propostos está também a reforma da Basílica de Aparecida, no Vale do Paraíba, cujo projeto original também não foi concluído. Desinterdição - A Arquidiocese de São Paulo promete entregar na próxima semana ao Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) um laudo técnico e uma lista de providências emergenciais a serem tomadas para permitir a desinterdição da catedral. "Queremos reabrir a catedral, que é um símbolo da cidade, o mais rápido possível, mas garantindo a segurança dos frequentadores", garantiu d. Cláudio. A Arquidiocese alega ausência de recursos para a falta de manutenção da igreja. A Catedral da Sé arrecada mensalmente cerca de R$ 15 mil em doações dos frequentadores, mas gasta R$ 17 mil. Segundo Arquidiocese, a crise econômica estaria provocando uma queda nas doações nos últimos meses.


