Curitiba- Conhecer melhor como começou a ocupação de Curitiba, quem eram as pessoas, suas origens, culturas e hábitos. É com esse objetivo que um grupo de arqueólogos, historiadores e estudantes, entre homens e mulheres, passa seus dias, desde 26 de junho, vasculhando escavações feitas em um terreno de 475 metros quadrado, no início da Rua Mateus Leme, Centro Histórico da cidade.
Munidos de pás minúsculas e pequenos instrumentos de perfuração, os pesquisadores passam grande parte do tempo ajoelhados no chão barrento, com galochas e luvas grossas para se proteger do frio que sobe do barro úmido. O trabalho é árduo, mas os pesquisadores sabem que não podem perder essa oportunidade rara para descobrir os rastros do passado que vem desde o século 17, quando começou a ocupação da Capital.
Aos poucos, do subsolo do terreno, onde será construído o novo Centro Juvenil de Artes Plásticas, vão surgindo estruturas das antigas edificações, cacos de cerâmica, pedaços de utensílios domésticos, vidros antigos, além de materiais orgânicos. Cada objeto traz novas pistas para os pesquisadores. ''Tem muito material do século 19. Antigamente as edificações eram mais precárias, de madeira, deixando poucos vestígios, ao contrário de uma casa de tijolos'' explica Igor Chmyz, diretor do Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas (Cepa) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que coordena o trabalho.
Alicerces de tijolo evidenciam que a última residência foi construída no século 19. Na argamassa de uma de suas lajes, foram encontrados fragmentos de um jornal escrito em alemão. Um antigo morador revelou que realmente seus moradores eram de origem alemã. O acervo encontrado ainda está sendo analisado, mas já aponta para peças do século 18, entre elas cerâmicas de barro neobrasileiras -feitas com técnica indígena mas com formato usado pelos brancos o que pode mostrar que índios tenham morado no local. Foi encontrado, também, um tipo de prego usado no século 18, o ferro ferreiro; além de louças com características de ter sido importadas da Inglaterra e Holanda.
Uma descoberta que chamou a atenção do pesquisador foi a existência de uma parede de taipa de pilão, técnica trazida pelos povos ibéricos, que começaram a chegar ao planalto curitibano na metade do século 16. ''Não se tinha essa referência em Curitiba'', diz Chmyz. A taipa de pilão é uma espécie de concretagem, com cascalho e terra prensados em uma fôrma de madeira. ém materias que indicam a ocupação mais remota.
Para fazer o trabalho, a área foi dividida em 26 quadrados. Em alguns locais, as escavações chegam a um metro. ''Na quadra onde estou trabalhando há evidências da ocupação neobrasleira, típica do século 18, uso de tijolo maciço, que é do século 19 e estacas do século 20'', conta a historiadora Roseli Santos Ceccon, integrante da equipe da Cepa.

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