Arqueólogos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que pesquisam o sítio histórico da Praça da Sé, no centro de Salvador, anunciaram ontem a descoberta de vários objetos, fragmentos e materiais de construção, provavelmente do século 17. As escavações são realizadas na área onde se acredita estarem os alicerces do primeiro Colégio dos Jesuítas da cidade, edificado no século 16.
Azulejos variados, blocos de rochas da área do Recôncavo Baiano, cal produzidos a partir de conchas de moluscos (técnica comum nos primeiros séculos de colonização na Bahia) estão entre os objetos encontrados. Estavam num local que, segundo o chefe da equipe de arqueólogos, Carlos Etcheverne, seria uma espécie de ‘‘canteiro’’ de construção do passado da velha capital baiana.
Na primeira etapa da pesquisa, concluída em 1998, os técnicos trabalharam no trecho da Praça da Sé onde existia a antiga Igreja da Sé, do século 16, demolida em 1933. Além dos alicerces do templo, vários objetos dos séculos passados e dezenas de esqueletos foram localizados, na época, o que tornou o local um dos principais sítios históricos de Salvador. - Nessa segunda etapa, Etcheverne escava o solo próximo à atual monumental Catedral Basílica, do século 17, que integrava o complexo da ordem religiosa onde funcionava o colégio.
O arqueólogo procura os alicerces do primeiro colégio, levantado na segunda metade do século 16. Ele acredita ter achado parte do alicerce da antiga construção, uma estrutura de 60 centímetros de espessura feita de pedras, argamassa de arenoso ferroso e cal de moluscos. Os achados serão estudados pela equipe de Etcheverne e de professores da Universidade de Alto Minho, de Portugal. O objetivo é estabelecer o tipo de material, o ano e em que oficinas portuguesas foram fabricados.

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