O empresário Girsz Aronson, de 81 anos, foi libertado ontem de madrugada, em São Paulo, pelos sequestradores. O dono da rede de lojas G. Aronson permaneceu 14 dias em cativeiro, onde passou o ano-novo judaico. Está mais magro. A pedido da família, a Delegacia Anti-Sequestro (Deas) não acompanhou o pagamento do resgate de R$ 117 mil.
O desfecho do sequestro começou na tarde de anteontem, término do feriado judaico do Yom Kippur, o dia do perdão, quando foi fixado o valor do resgate. No meio da noite, a família recebeu um telefonema dos criminosos marcando um local para a entrega do dinheiro. Um dos filhos do empresário, Gerson, foi encarregado de pagar o resgate.
Mas, depois disso, os sequestradores ainda mudaram o local do pagamento várias vezes. O objetivo era ter certeza de que a polícia não estaria por perto. Outros telefonemas dos criminosos levaram o filho de Aronson a uma rua do bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, onde o dinheiro do resgate foi finalmente entregue.
Em seguida, os sequestradores retiraram o empresário do cativeiro e o puseram em um carro. Às 4 horas de ontem, ele foi deixado perto de um posto de gasolina, no km 27 da Rodovia Castelo Branco, em Barueri, na Grande São Paulo.
Aronson caminhou até o posto e conversou com frentistas e policiais rodoviários. Disse que foi agredido pelos criminosos no primeiro dia de cárcere. Contou que, ao entrar no cativeiro, foi empurrado e caiu - suspeita-se que tenha fraturado o nariz. Aronson dormiu num colchonete, comeu sanduíches e tomou iogurte.
Do posto, o empresário telefonou para a família e seu filho foi apanhá-lo. Abatido e cansado, Aronson ficou emocionado ao reencontrar os parentes no apartamento em que vive com a mulher, Nádia, e filha Elizabete, na Avenida São Luís, no centro.
Os policiais da Deas estiveram com o empresário e sua família. Girsz Aronson disse-lhes que não podia lembrar-se de nenhuma característica marcante dos sequestradores. ‘‘Mas já temos pistas da quadrilha’’, disse o delegado Maurício Guimarães Soares, titular da Deas. Depois, o empresário tomou banho, dormiu e deu entrevista no fim da manhã. Aronson foi sequestrado no dia 17 de setembro, por volta das 6 horas, na loja matriz da rede, na Rua Conselheiro Crispiniano, centro de São Paulo.

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