São Paulo - Durante um ano e meio a enfermeira Josefa Borrel estudou a qualidade do leite materno armazenado. A idéia era prestar serviço para as mulheres que amamentam e trabalham longe dos filhos. O trabalho, que se transformou em dissertação de mestrado na Faculdade de Medicina da USP, teve um resultado impressionante: o leite armazenado pode estar contaminado. Exemplo: o número de coliformes (bactérias presentes principalmente nas fezes, vegetais e no solo) no leite armazenado era 2,397 mil vezes mais alto que o recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No total, foram oito grupos de microorganismos investigados. Entre eles, coliformes, salmonela, bolores e mesófilos (microorganismos ou bactérias). ''Apesar da contaminação, não há motivo para alarde'', diz Josefa. ''Acompanhei a evolução clínica dos bebês que consumiram o leite armazenado e constatei que a quantidade alterada das bactérias não surtiu efeito negativo ao sistema gastrointestinal. Mesmo assim, deve-se ter muito cuidado.''
A relações-públicas Janaína Biagio, de 31 anos, não participou da pesquisa, mas teve de armazenar o próprio leite para a filha, Helena. Quando a garota estava com quatro meses, Janaína voltou a trabalhar. ''Nem pensei na possibilidade de parar de amamentar.'' Durante dez meses, ela coletou o leite no escritório durante o dia e alimentou a filha com o líquido armazenado a cada noite. ''Era uma loucura, muitas vezes o telefone não parava de tocar e lá estava eu no banheiro, enchendo as mamadeiras'', lembra. Ela usava luvas e transportava o leite em bolsa térmica com gelo.
De acordo com a tese de mestrado da USP, há duas possibilidades para os motivos da contaminação: na manipulação do seio e no transporte do leite. Com base nas hipóteses, Josefa incluiu na dissertação dicas de segurança, como usar máscaras e luvas na manipulação, armazenar o leite em frasco de vidro esterilizado no mínimo por 10 minutos e sempre transportar o leite em caixa de isopor fechada, com gelo (uma fôrma).

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