São Paulo - Mais forte do que a vontade de conhecer a carinha do bebê é o desejo de que ele nasça repleto de saúde. E para não correr riscos, muitas famílias decidem armazenar células-tronco retiradas do sangue do cordão umbilical na hora do parto. O procedimento alimenta a esperança de que, caso o filho desenvolva uma doença grave no futuro, essas células possam lhe salvar a vida.
Nos consultórios médicos, não faltam folhetos de empresas privadas que realizam a coleta e armazenamento das células-tronco. O que falta mesmo é informação precisa sobre os casos em que essas células podem, de fato, resolver um problema de saúde ou salvar uma vida.
Hoje, só se pode falar dez tratamento nos casos de doenças hematológicas, como certos tipos de anemias, talassemias e leucemias. Sendo que, no caso de doenças genéticas, como as talassemias, ou em determinados tipos de leucemia, não é aconselhável o uso das células da mesma pessoa. Afinal, têm a mesma constituição genética, podendo desencadear a doença futuramente.
As células-tronco têm capacidade de autoreplicação. Ou seja, toda vez que se dividem geram uma cópia idêntica e outra com potencial de diferenciar-se em vários tecidos. Podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, ou para recuperar tecidos lesionados e doentes.
As pesquisas com esse material são a esperança de tratamento, e até cura, para doenças como diabetes, escleroses múltipla e lateral amiotrófica; infarto, distrofia muscular, Alzheimer e Parkinson. Mas ainda são pesquisas, ou seja, promessas que a ciência não sabe quando vai cumprir.
A professora de Genética Humana da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Instituto Nacional de Células-Tronco em Doenças Genéticas, Mayana Zatz, admite que, quando trata desse assunto, acaba jogando um balde de água fria sobre os futuros pais.
Segundo ela, hoje o sangue do cordão umbilical trata apenas doenças hematológicas, cujo maior pesadelo é a leucemia. ''Além disso, esse sangue só pode ser usado até que o portador alcance 50 quilos.'' Também não se sabe, acrescenta ela, se o sangue armazenado agora terá qualidade nos próximos 30 anos.
Mayana assegura que o sangue do cordão umbilical não é a única fonte de células-tronco. Além do tecido do cordão (que é descartado após a retirada do sangue), elas podem ser retiradas da polpa do dente de leite, de tecido adiposo (como a gordura retirada durante uma lipoaspiração) e até do sangue menstrual.

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