Armazém em Araripina é saqueado por 3 mil pessoas
Armazém em Araripina é
saqueado por 3 mil pessoas
Agência Estado
Cerca de três mil pessoas saquearam ontem um armazém do Cotonifício Artefil, na BR-316, periferia de Araripina, a 692 quilômetros do Recife. No saque, em três etapas, foram levados 15 toneladas de merenda escolar, 3.313 cestas básicas, 340 caixas de latas de óleo, 300 colchões, vassouras e até peças de gabinetes odontológicos guardados no local pela prefeitura. Duas pessoas foram presas, uma delas militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O primeiro saque, às 2 horas, foi feito por cerca de 250 acampados sem-terra e favelados da periferia da cidade, liderados pelo MST. Eles quebraram os cadeados do armazém e levaram 1.815 cestas básicas que começariam a ser distribuídas ontem para flagelados da zona rural do município. Metade das cestas foram levadas, em um caminhão, para os dois acampamentos de sem-terra em Araripina - Ponta da Serra e Canastra - e um outro, Jatobá, em Ouricurí.
Às 8h30, no segundo saque, sem intervenção dos sem-terra, mais de 2.500 moradores dos arredores da cidade levaram o restante das cestas básicas. Cerca de 15 minutos depois, novo ataque. A multidão - que incluía aposentados e pequenos comerciantes, de acordo com testemunhas - arrombou e esvaziou os outros depósitos do cotonifício, carregando tudo o que encontraram, até mesmo equipamentos para a instalação de seis consultórios odontológicos nos distritos do município. A polícia não reagiu. A cidade só dispunha de cinco policiais e depois recebeu um reforço de outros sete.
A militante do MST-PE, Edna Elísia da Silva Neto, que liderou tanto o saque da madrugada como o de anteontem - promovido pelo assentamento de Santa Rita, no município de Ouricurí -, foi autuada em flagrante e presa por determinação do juiz local, por incitar saques. Ela vai responder a dois inquéritos e foi levada para a cadeia pública de Ouricurí, próximo a Araripina.
João de Deus Souza, participante do segundo saque, também foi detido, acusado de ter jogado pedras no carro da polícia. A delegacia regional abriu inquérito para apurar os saques e o prefeito Emanoel Santiago Alencar (PSB) mandou fazer um levantamento de tudo que foi saqueado para prestar queixa à delegacia local.
Indignado, o prefeito responsabilizou o governo Fernando Henrique por ainda não ter aberto as frentes de trabalho, que resolveriam o problema, mas acusa a oposição pelos saques de ontem.





