Armas e munição continuam sendo comercializadas nas lojas do Rio
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terça-feira, 23 de março de 1999
Por Andréia Maia e Clarissa Thomé, especial para a AE 
Rio, 24 (AE) - Um dia após o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), lançar a campanha "Rio, Abaixe essa arma", anunciando medidas para desarmar o Estado e recolher 600 mil armas clandestinas, pelo menos três pessoas morreram e outras três ficaram feridas por arma de fogo, até o início da noite de hoje. Armas e munição - que teriam a venda suspensa pelo projeto de desarmamento - foram comercializadas hoje nas oitos lojas de armas espalhadas na região metropolitana do Rio. Além disso, a fiscalização que iria acontecer na capital e no interior, acabou não ocorrendo.
A única operação envolveu agentes da polícia federal e a ação foi independente da campanha. Após receber a denúncia da chegada de um carregamento de 150 fuzis clandestinos e importados, 35 policiais federais realizararam hoje pela manhã uma blitz no Morro da Formiga, na Tijuca, na zona norte. Houve troca de tiros entre os policiais e criminosos. A operação terminou com o agente federal Rod Babosa Reis, de 26 anos, baleado no braço, e nenhuma arma apreendida. Baleados - Na madrugada de hoje, Valéria de Oliveira Rodrigues, de 17 anos, foi baleada na perna, na Tijuca, na zona norte. No mesmo bairro, ocorreu o assassinato de João Pedro Vicente, de 30 anos, morto com três tiros.
Durante a manhã, Manoel dos Santos, de 65 anos, atirou no peito da amante, Márcia Brito dos Santos, de 32 anos. Santos suicidou-se depois de cometer o crime. No início da tarde de hoje, Cléber de Souza matou a mulher, Geisa dos Santos Cabral, de 24 anos, e um dos tiros atingiu a boca do filho do casal, André dos Santos Rocha, de três anos. O menino está internado e o pai fugiu. Polêmica - O projeto de lei de autoria do deputado estadual, Carlos Minc (PT), proibindo o comércio de armas já está causando polêmica entre entidades civis e o governo estadual. O presidente da Associação dos Delegados da Polícia do Rio (Adepol), Wladimir Reali, anunciou hoje que a entidade vai entrar com uma ação na Justiça contra o projeto.
"A proibição de venda de armas violaria a legislação federal, pois isso é de competência da União e não do Estado", disse Reali. "Além de ilegal, a proibição de vendas de armas não inibirá os bandido e vai incentivar o contrabando", afirmou. Ele informou que a representação judicial será inicialmente contra a Assembléia Legislativa (Alerj), caso aprove o projeto, e depois contra o governo do Estado, responsável pelo sancionamento do projeto.


