São Paulo, SP- As armas de fogo foram responsáveis por 265.975 mortes no país na década de 90, segundo estudo apresentado ontem pelo Instituto São Paulo Contra a Violência e pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas da Violência da Universidade de São Paulo.
O número corresponde a 24% das mortes por causas externas (não naturais). Do total, cerca de 82% foram homicídios, 11% não tiveram a intencionalidade determinada, 5% foram suicídios, 2% foram mortes acidentais e apenas 0,1% foi atribuído à intervenção da polícia.
De acordo com o Instituto São Paulo Contra a Violência, no final da década de 90, a mortalidade causada por armas de fogo ocupou a primeira posição entre causas externas. Em 2000, morreram quase 13 mil jovens com idades entre 15 a 24 anos, superando acidentes de trânsito e mortes naturais.
''Problemas como estes só são resolvidos com pesquisas, estudos e apoio da sociedade civil'', afirma o presidente do Instituto São Paulo Contra Violência, Eduardo Capobianco.
O relatório destaca também o crescimento da mortalidade em todas as faixas etárias e em grupos de gênero. Jovens do sexo masculino, entre 15 e 19 anos, apresentam uma chance 13 vezes maior de serem vítimas de armas de fogo do que a mulher na mesma faixa etária. Para homens com idades entre 20 a 29 anos a probabilidade é 20 vezes maior.
''Esse relatório nos permite identificar os problemas e apontar as soluções. O investimento estratégico na informação é fundamental para melhor planejamento'', disse a coordenadora do projeto, Maria Fernanda Tourinho.
O estudo, coordenado pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP, compreende um período de 1991 a 2000 e abrange todo o país. O estudo baseia-se em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde. O projeto teve apoio técnico da Organização Mundial de Saúde, do escritório regional da Organização Pan-Americana de Saúde no Brasil e do Small Arms Survey.

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