O uso de arma de fogo tem aumentado o número de mortes entre índios. Em 1996, ocorreram 15 mortes, quatro a mais que no ano anterior, sendo que oito delas entre os ianomâmi. O aumento dos casos e a mudança de comportamento preocupam o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Os índios são culturalmente guerreiros e a disputa entre tribos sempre existiu; só que antes eles usavam apenas bordunas, arcos e flechas.
O presidente do Cimi, Dom Aparecido José Dias, denunciou ontem que os garimpeiros é que têm dado armas aos índios. ‘‘Eles invadem as aldeias, fornecem armas e os índios passam a se matar’’, disse, durante a divulgação do boletim sobre ‘‘A Violência contra os Povos Indígenas no Brasil’’, com dados de 1996.
O boletim revela que houve 138.846 casos de violência contra índios em 1996, com quase 17 mil vítimas. Entre as agressões há homicídios, ameaça de morte, cárcere privado, sequestro de crianças. Quinhentos índios morreram por doença. A pesquisa traz um aspecto positivo: a redução do número de suicídios. Foram registrados apenas 30 casos, contra os 58 ocorridos em 95.

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