Curitiba- Pelo menos 100 armas de fogo entregues pela população na Campanha de Desarmamento do Paraná foram separadas e podem compor, em breve, um Museu de Armas. Apesar do Estatuto do Desarmamento prever que todas as armas arrecadadas devem ser destruídas, pistolas e revólveres com características antigas estão sendo analisados por uma equipe de voluntários, integrada por professores e estudiosos de história e de armas. O objetivo é levantar a maior quantidade possível de informações sobre cada peça e montar um museu.
A idéia de montar o museu partiu do delegado Luis Fernando Artigas Junior, da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições. ''Entre as armas entregues verificamos a existência de peças históricas. Tem armas da 1 e da 2 Guerra Mundial, exemplares fabricadas no fim do século passado e início deste. Algumas estão em bom estado, outras precisam de reforma'', conta, lembrando que a maioria é de origem européia, mas também há exemplares dos Estados Unidos. Entre os modelos já identificados, ele destaca a pistola Lagger e o revólver Mauser, utilizados pelos oficiais da SS alemã, e armas russas usadas pelo exército russo no fim do século passado.
Ontem o Governo do Estado fez a terceira destruição de armas arrecadadas pela Campanha, inutilizando 2,5 mil peças. Desde o início da campanha 7,3 mil das 20 mil armas arrecadadas foram destruídas. Os últimos dados da Secretaria de Segurança Pública mostram o pagamento de pouco mais de R$ 1 milhão a cerca 10.943 pessoas, que receberam a recompensa de R$ 100,00 por arma entregue. Ainda faltam, segundo a Secretaria, ser pago abono para outras 9 mil armas.
O governador Roberto Requião criticou o que chamou de contra esforço. ''Noventa e oito por cento dos filmes na televisão são propaganda de violência'', afirmou. ''E o bacana é o mocinho que atira bem, que mata a bandidagem, que anda com a arma na cinta.'' Segundo ele, essa questão precisa ser discutida pela sociedade.

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