Londrina - Cassiano Aufiero, delegado chefe do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) da Polícia Civil do Paraná, aponta que o comércio de joias é usado para lavar dinheiro de criminosos de várias áreas, desde traficantes até políticos que desviam recursos públicos.
"Há o dinheiro de origem ilícita e, não tendo como justificar aquele valor, o criminoso compra joias, no mercado clandestino e no comércio legalizado. É uma modalidade utilizada pela necessidade de acumular riqueza e ao mesmo tempo dificultar a fiscalização da polícia e da Receita Federal. O metal precioso não tem como ser rastreado. Mesmo que a joia tenha algum número de identificação, é fácil apagá-lo ou então derreter o material. Outra questão é que, como o valor da joia é determinado por avaliação, o criminoso pode atribuir a ela o valor que quiser", relata o delegado.
"O ouro é a moeda do narcotráfico, porque não tem como ser rastreado. A partir do momento em que é fundido, acabou a prova do crime", diz Tufy Karam Geara, presidente da Associação dos Relojoeiros e Joalheiros do Estado do Paraná (Arjep). Ele estima que 90% da lavagem de dinheiro envolvendo joias e metais preciosos está relacionada ao narcotráfico.
"Muitos (joalheiros) ainda não querem entrar no mercado formal, porque burlam muito a lei, compram mercadorias roubadas, são as chamadas bocas de ouro, que realmente lavam o dinheiro: compram e vendem a um preço muito mais baixo para os traficantes", diz Geara.
O presidente da Arjep diz que a fiscalização feita pelo poder público é falha e que a liberação de alvarás para joalheiros é realizada sem critério. "O governo não faz a prevenção", critica.(F.G.)

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