Phoenix, 04 (AE-REUTERS) - Um assassino condenado nascido na Alemanha foi executado no Arizona na noite de quarta-feira por ter matado um gerente de banco depois de um dia de frenéticos apelos e protestos do governo alemão e da Corte Internacional de Justiça.
Um porta-voz da Procuradoria-Geral do estado do Arizona afirmou que Walter LaGrand, 37 anos, foi colocado numa câmara de gás às 21h12 (horário local) - 1:12 (horário de Brasília) - e levou 18 minutos para morrer.
LaGrand escolheu esta maneira de morrer na esperança de escapar da execução - uma vez que a câmara de gás já fora anteriormente considerada uma "punição cruel e incomum".
Testemunhas da execução relataram que LaGrand, amarrado a uma cadeira, teve vários acessos de tosse enquanto o gás cianeto era bombeado para dentro da câmara e elas ouviram ele gorgolejar. Sua cabeça balançou violentamente para frente e para trás diversas vezes e então parou de se mover.
Antes da execução ele fez um breve comunicado. "Para todos vocês que estão aqui hoje, eu os perdôo e espero que possa ser perdoado na minha próxima vida", disse.
LaGrand comeu a tradicional última refeição antes de ser executado: seis ovos, 16 fatias de bacon, um bife com batatas, além de café e suco de fruta.
Sua morte, com seis horas de atraso em relação ao horário originalmente marcado, seguiu-se a uma série de apelações junto a tribunais locais e finalmente à Suprema Corte dos EUA, assim como de protestos legais feitos pelo governo alemão e um apelo de último minuto da Corte Internacional de Justiça de Haia, a mais alta instância legal das Nações Unidas.
LaGrand, 37 anos, e seu irmão, Karl, 36 anos, foram condenados em 1998 por terem matado a facadas o gerente de banco Walter Hartsock em um fracassado assalto. Eles também esfaquearam a caixa Dawn Lopez seis vezes, mas ela sobreviveu.
Karl LaGrand foi executado há uma semana. Os irmãos optaram pela câmara de gás por saberem que uma corte de apelação dos EUA iria classificar o método de "punição cruel e incomum", mas quando a Suprema Corte reverteu a decisão da corte de apelação na semana passada Karl optou no último minuto pela injeção letal, e o estado concordou.
Walter LaGrand descartou a injeção letal na terça-feira e sua morte é a primeira de um condenado no Arizona na câmara de gás desde 1992, quando o método de execução foi considerado ilegal.
Até 1992, os condenados à morte podiam escolher entre a câmara de gás e injeção letal.
O drama legal de quarta-feira começou quando o governo alemão entrou com uma moção na Suprema Corte pedindo suspensão da execução enquanto a Corte Internacional considerava uma apelação por clemência de Bonn apresentado em Haia mais cedo.
A Corte Internacional também apelou a Washington para congelar a execução.
Menos de uma hora antes do horário original da execução de LaGrand um tribunal federal em São Francisco julgou que enquanto rejeitava a apelação por clemência, o condenado não poderia ser executado na câmara de gás por esta ser uma "punição cruel e incomum".
Autoridades do Arizona imediatamente apelaram da decisão à Suprema Corte, ao mesmo tempo em que entraram com uma petição na Suprema Corte do Estado do Arizona para uma nova garantia estipulando a execução por injeção letal. A petição não foi considerada em vista de a Suprema Corte dos EUA ter julgado em favor do estado do Arizona.
O caso dos LaGrands ganhou atenção internacional porque ambos nasceram na Alemanha. Apesar de terem se mudado para os Estados Unidos ainda crianças, ambos mantiveram a cidadania alemã.
A Alemanha argumentava que os irmãos tiveram negado acesso consular estipulado em acordos internacionais assinados pela maioria dos países, incluindo Alemanha e os Estados Unidos.
O caso tornou-se uma causa célebre na Alemanha, que não tem a pena de morte. Mas a governadora do Arizona, Jane Hull, disse por intermédio de uma porta-voz que o estado estava determinado a levar em frente a execução apesar do furor internacional.
A porta-voz de Hull, Francie Noyes, afirmou à REUTERS que a governadora acreditava que todos os requerimentos legais dos EUA haviam sido esgotados e que havia chegado a hora de executar LaGrand.
"Tivemos 17 anos de discussões legais, apelações e debate", disse Noyes. "Neste momento tudo resume-se a justiça para as vítimas. Não vemos razão para isto não acontecer".

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