Rio, 27 (AE) - A cidade do Rio pode perder uma de suas mais tradicionais confeitarias. Inaugurada há 105 anos, a Colombo, no Centro, está à venda. A Arisco, atual proprietária, decidiu se desfazer do restaurante para se dedicar exclusivamente ao seu principal negócio: a agroindústria. "Estamos buscando compradores interessados em manter a tradição cultural e o glamour da casa", garantiu o diretor comercial da Arisco, Nélson Mello.
O prédio da Confeitaria Colombo é tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado desde 1983. Um dos mais perfeitos exemplares da arquitetura Belle Époque, não pode, portanto, ser derrubado. O tombamento garante também que a natureza do negócio seja mantida. Mas quem gostaria de ver funcionando nas instalações da centenária confeitaria uma lanchonete fast-food, por exemplo? "Nossa idéia é escolher um comprador que queira manter o negócio", afirmou Mello, lembrando que o novo proprietário terá direito a usar o nome da confeitaria. A Arisco espera concluir o negócio até junho.
História - A Colombo foi inaugurada no dia 17 de setembro de 1894, uma segunda-feira, pelos portugueses Manoel José Lebrão e Joaquim Borges de Meirelles. Era Lebrão quem ficava à frente do negócio, imprimindo uma disciplina rígida de trabalho em que o atendimento era o principal destaque. Seria dele o slogan "o freguês tem sempre razão" - popular até hoje no comércio.
Outro segredo do sucesso da casa eram as receitas de iguarias trazidas da Europa e reproduzidas com sucesso na confeitaria. Camarões recheados, coxinhas de galinha, pastéis de nata, biscoitos leques eram alguns dos quitutes que fizeram a fama da Colombo. Foi na virada do século, no entanto, que a confeitaria se transformou em um dos mais famosos pontos de encontro da cidade, superando a concorrente Confeitaria Pascoal.
O poeta Olavo Bilac, frequentador assíduo da Pascoal, brigou com o dono da confeitaria, transferindo-se, juntamente com uma roda de amigos, para a Colombo. Bilac fez do suntuoso salão de chá seu ponto de encontro e criou uma famosa roda de intelectuais, entre eles escritores como João do Rio e Coelho Neto e caricaturistas famosos como Kalixto e J. Carlos.
A chique confeitaria, localizada em um dos mais importantes pontos do comércio do Centro, tornou-se logo a coqueluche das finas senhoras da sociedade da época que iam as compras nas imediações e passavam por lá para tomar chá. Decorada com vitrais, espelhos belgas, bancadas de mármore italiano, molduras e vitrines em jacarandá, a Colombo era, definitivamente, o que havia de mais sofisticado na cidade. Tanto era assim, que a casa foi escolhida para servir de cenário a homengens a reis e rainhas, como Alberto da Bélgica, em 1920, e Elizabeth da Inglaterra, em 1968. Presidentes da república, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek também eram assíduos.
A Arisco não revela quanto está pedindo pela confeitaria e espera concluir o negócio até junho.

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