La Paz, 24 (AE-AP) - O ex-ministro de Governo da Bolívia Antonio Arguedas parece ser a mais nova vítima da chamada "maldição de Che Guevara", ao somar-se a vários personagens mortos relacionados ao combate contra o legendário guerrilheiro cubano.
Arguedas, de 71 anos, morreu na terça-feira em Obrajes, bairro próximo ao centro de La Paz, ao explodir uma bomba que carregava, ao que parece para realizar um atentado, segundo o ministro de Governo boliviano, Walter Guiterras.
A explosão ocorreu em uma área próxima ao escritório da Direção Anti-Drogas Estados Unidos, de casas de alguns funcionários da Agência de Cooperação Econômica Norte-Americana e da casa do ex-presidente boliviano Gonzalo Sánchez de Lozada.
Arguedas, que era considerado fugitivo da justiça sob a acusação de dirigir uma organização, denominada C-4, que sequestrava empresários, foi encontrado morto com um documento de identidade falso. O grupo C-4 declara lutar contra o castrismo, o comunismo, a corrupção e a cocaína.
Organismos de inteligência suspeitam que o grupo seja formado por militares e policiais descontentes com a reestruturação institucional no país.
Depois de confirmar a morte de Arguedas, vários empresários denunciaram extorsões e ameaças por parte do C-4.
Argueda era um homem polêmico e misterioso. Foi deputado em 1963 e ministro de Governo em 1964, no governo do general René Barrientos, com o qual organizou as ações contra a guerrilha de Guevara entre março e outubro de 1967.
Depois da captura de Guevara, ele enviou as mãos e o diário de "Che" ao presidente cubano, Fidel Castro, fugindo em seguida da Bolívia. Retornou ao país anos depois, declarando-se agente da CIA (agência de inteligência norte-americana).
A história sobre a maldição de "Che" nasceu de uma série de mortes de personagens que na década de 60 participaram da luta contra a guerrilha.
Barrientos morreu em 1969 na queda do helicóptero no qual viajava.
O general Joaquín Zenteno Anaya, ex-comandante das operações contra "Che", foi assassinado em 1976 por um "comando Che Guevara", em Paris, onde era embaixador.
O coronel Andrés Selich, um dos chefes do regimento que destruiu a coluna de "Che", morreu ao ser detido pelo governo do general Hugo Banzer, do qual havia sido ministro.
Em 1981, o general Gary Prado, que capturou "Che", ficou paralítico devido a uma bala que lhe fraturou a coluna vertebral.
O coronel de polícia Jorge Quintanilla, dos serviços de segurança de Barrientos, foi assassinado por um comando do grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN), em Hamburgo, onde se encontrava em missão diplomática.

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