Buenos Aires, 23 (AE) - Amanhã (24), 23.590.605 argentinos poderão realizar algo inédito na história do país: votar na quarta eleição livre e secreta consecutiva. Das 8 às 18 horas, os eleitores escolherão o 42º presidente de uma história marcada por sucessivos golpes militares.
Mas, além do novo ocupante da Casa Rosada, os argentinos também estarão escolhendo o vice-presidente, metade da Câmara dos Deputados (130 vagas) e os governadores de sete províncias (Estados): Buenos Aires, Mendoza, Corrientes, Entre Ríos, Jujuy, Chubut e La Pampa. Também serão escolhidos deputados e senadores provinciais (as províncias argentinas possuem Senados próprios), prefeitos e vereadores.
Cada partido político estabelece uma lista de candidatos, com uma ordem fixada na convenção partidária: dependendo de quantos votos a agremiação conseguir, elege-se um número proporcional de candidatos, seguindo essa ordem.
O sistema tem a vantagem de que, graças a ele, a fidelidade partidária é extrema, mas tem o inconveniente de que o eleitor só pode escolher entre todos ou nenhum, tendo que suportar candidatos que repudia e estão na lista.
No entanto, o voto contempla a possibilidade de não ser vinculado. Ou seja, pode-se escolher candidatos a presidente, governador e deputados de partidos diferentes. Mas, para isso, o eleitor tem de ir até o quarto escuro armado de uma tesoura e, assim, cortar a cédula eleitoral. O "corte de boleta", segundo a terminologia local, também pode ser feito em casa e levado pronto.
Diversos partidos políticos também entregam o voto previamente cortado dentro do envelope eleitoral a seus simpatizantes e até o enviam por correio. O corte permite ao eleitor votar em um presidente de um partido, um governador de outro e deputados de até um terceiro grupo político.
No entanto, ao votar nos deputados, escolhe-se a lista inteira, já que ela não pode ser cortada. O corte é uma relativa novidade nas eleições argentinas: surgiu no começo da década e promete fazer uma revolução na política do país.
Pela primeira vez, estrangeiros residentes poderão votar, mas somente aqueles que morem na Província de Buenos Aires. Espera-se que 330 mil estrangeiros depositem seus votos nas urnas, dos quais menos de 2 mil seriam brasileiros. No entanto, poderão votar para todos os cargos em disputa, menos o de presidente.
Os argentinos no exterior também poderão votar: há 800 mil fora do país, mas somente 26 mil se inscreveram para escolher o presidente. No Brasil, 1.221 argentinos avisaram a seus consulados que pretendem votar. O Ministério do Interior informou que os resultados da eleição serão anunciados no fim da noite de amanhã.

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