Buenos Aires, 21 (AE) - A Argentina e o Paraguai decidiram que vão aumentar a capacidade de geração de energia da hidrelétrica de Yaciretá. Serão investidos US$ 850 milhões nas obras necessárias para elevar o nível do Rio Paraná, onde está situada, e assim aumentar a capacidade em 30%. A decisão foi tomada durante uma reunião entre o ministro de Infra-Estrutura da Argentina, Nicolás Gallo, e o ministro de Obras Públicas do Paraguai, José Planás.
Também está sendo analisada a construção de turbinas extras no lado paraguaio da hidrelétrica. No momento, Yaciretá fornece 20% do total da energia elétrica do país. Segundo analistas, a ampliação não tem o mercado interno argentino como alvo: a intenção seria fornecer energia ao mercado do sul do Brasil.
Yaciretá, a maior hidroelétrica da Argentina, começou a ser planejada antes de Itaipu, mas só foi concluída parcialmente em 1998. Ao ser projetada, seu custo foi calculado em US$ 1,5 bilhão. Mas, durante quase três décadas, a obra drenou do tesouro nacional muito mais do que isso, em um total de US$ 10 bilhões. Os habitantes que moravam à beira do rio foram removidos quando o lago surgiu, mas nunca foram reinstalados.
Como se fosse pouco, para concluir todo o projeto, ainda faltariam US$ 850 milhões. Além disso, o grupo que a construiu, liderado pela empresa italiana Impreglio, denuncia que a hidrelétrica ainda lhe deve US$ 1,5 bilhão. A Procuradoria Geral de Empresas Públicas nega, e sustenta que Yaciretá somente deve US$ 130 milhões. Ao tomar posse em 1989, o então presidente Carlos Menem definiu a obra como "o monumento à corrupção argentina".
Além de ampliar Yaciretá, o governo argentino planeja ressuscitar o projeto da hidrelétrica de Corpus, também sobre o Rio Paraná, que nos anos 70 foi a causa da mais grave crise política da segunda metade do século entre o Brasil e a Argentina. Na época, os argentinos protestavam contra Itaipu, argumentando que a retenção das águas lhes retiraria parte de sua capacidade energética. O Brasil concordou em reduzir o número de turbinas, mas Corpus nunca foi construída.
Mas agora, com a demanda de energia no Brasil, os governos da Argentina e do Paraguai pretendem construir Corpus, que produzirá mais energia que Yaciretá. O ministro Gallo declarou que "esse é um assunto a ser incluído na agenda do Mercosul", e que deseja a participação de capitais privados no empreendimento. Integrantes dos governos do Brasil, Argentina e Paraguai se reuniriam em março em Assunção, Paraguai, para analisar a construção de Corpus.
Enquanto isso, continua avançando a integração energética no Mercosul: o subsecretário de Energia, Horacio Quaini, declarou que já começaram os testes de carga de uma rede de alta tensão que transportará eletricidade de Yaciretá até a usina de Itá, no sul do Brasil.

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