Argentinos preocupados com o futuro do Mercosul
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 26 (AE) - Ser política de Estado para o governo e a oposição na Argentina já não é garantia de existência para o Mercosul. Em Buenos Aires, empresários e economistas começam a preocupar-se sobre o futuro do mercado comum do Cone Sul e os desvarios do atual governo que levou a Argentina à uma rota de colisão com o Brasil e vice-versa.
"Se estes problemas não se consertarem, por inércia o Mercosul será levado a uma situação de conflito", afirmou à Agência Estado o ex-secretário de Comércio Exterior, Alejandro Mayoral. "Não, como dizem alguns, que irá acontecer um retrocesso no Mercosul. Ele já ocorreu de fato, e há um par de anos. Isso pode ser verificado pela falta de conclusão do regime automotivo e da última reunião de cúpula do bloco comercial em Assunção, completamente sem importância", sustentou.
Mayoral considera que a Argentina deveria discutir com o Brasil se os dois ainda têm a mesma votade de integração que havia no passado recente. "O que está acontecendo hoje é a manifestação explícita de tudo o que foi mal-feito", lamentou Mayoral, que definiu o atual panorama de "absurdo".
O ex-secretário do comércio e economista Raúl Ochoa disse que teme pelas tensas relações comerciais Brasil-Argentina. "Não nos convém que estes conflitos causem fricções, mais ainda porque estamos diante de negociações de enorme importância no mês de novembro, como a Rodada do Milênio, um encontro em Toronto pela Alca, e outro em Bruxelas pela União Européia."
Roberto Lavagna, ex-secretário de Comércio do governo do ex-presidente raúl Alfonsín, considera que os argentinos que propõem sair do Mercosul "estão agindo de má fé ou possuem grande desconhecimento técnico sobre a questão". Lavagna sustenta que o governo argentino avaliou mal duas medidas tomadas recentemente: o anúncio de que solicitaria a associação à OTAN e as reclamações pela instalação da Ford na Bahia, entrando em rota de colisão com o senador Antonio Carlos Magalhães. O presidente da Câmara de Exportadores da Argentina, Enrique Mantilla, declarou que "o Mercosul deve ser aprofundado
porque deve-se proteger o amplo mercado que nos possibilita".
Fontes da Secretaria da Indústria e Comércio, disseram à AE que a decisão das salvaguardas foi uma medida para compensar a desvalorização do real. Além disso, as fontes sustentaram que o Tratado de Assunção permitiu a aplicação de salvaguardas entre 1990 e 1994. No entanto, para depois, não havia nada previsto.
Esta suposta "lacuna legal" é o argumento ao qual se aferra o governo argentino. "Como não se voltou a falar nisso, nem contra nem a favor, supusemos que poderiamos aplicá-las", disseram.
Como se não fosse pouco, os rumores em Buenos Aires sobre medidas extremas por parte dos argentinos chegaram ao ponto de colocar na boca do ministro da Economia, Roque Fernández, a versão de que todos os produtos no Mercosul suspeitos de subsídios teriam a aplicação imediata de salvaguardas. No ministério da Economia desmentiram, e atribuíram os boatos à tensão crescente nas relações comerciais.


