Buenos Aires, 22 (AE) - Os maus presságios sobre o futuro da economia argentina para este ano e os projetos de dolarização alardeados pelo governo não conseguiram diminuir a confiança dos argentinos em sua moeda nacional: eles ainda preferem o peso em lugar do dólar. Isso é o que indica um trabalho da consultora Macroeconómica, que sustenta que em fevereiro os depósitos em prazo fixo em dólares caíram de 60,5% para 56,9% do total de aplicações deste gênero.
A redução lenta, mas contínua ao longo do mês, foi interpretada como um sinal de uma retomada da confiança no peso, após um breve período onde houve uma procura pela moeda norte- americana, que ocorreu após a desvalorização do real. A falta de risco do peso foi suficiente para atrair os investidores, já que a diferença nos rendimentos não é significativa: a taxa anual para as aplicações em dólares é de 5,93%, enquanto que a taxa dos pesos é 6,86%.
Mas enquanto acontecia uma passagem dos depósitos de dólares para pesos, simultaneamente ocorria uma queda geral em todos os depósitos. No período de 16 de fevereiro a 16 de março, o volume de dinheiro nos bancos desceu de US$ 78,5 bilhões, para US$ 75,2 bilhões, o que indica uma queda de 0,4%.
O fato chamou a atenção, já que poucos dias depois da desvalorização do real, os depósitos haviam rapidamente crescido outra vez: em fevereiro haviam aumentado em US$ 680 milhões. Além disso, esse declínio não estava sendo esperado para o mês de março, quando tradicionalmente ocorre um aumento nos depósitos.
A última queda registrada em um mês de março foi em 1995, sob o impacto direto da crise mexicana. Na época, a queda foi de 8% em relação a fevereiro daquele ano e US$ 3,2 bilhões saíram dos bancos.
Por enquanto, a queda nos depósitos é considerada pequena, mas os analistas econômicos em Buenos Aires temem que a tendência continue. Embora a retração nos depósitos seja pequena demais para atingir a oferta de crédito, preocupa o valor simbólico que essa queda poderia ter.

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