Argentinos mudam a rotina de Foz
Já é tradição. As férias de inverno na Argentina mudam o cotidiano de Foz do Iguaçu. Os veículos de placas negras e letreiros claros, especialmente os enormes ônibus de turismo, engrossam o trânsito e durante a noite se amontoam em frente a restaurantes, lanchonetes e casas noturnas.
Segundo estudos da Foztur, os visitantes do país vizinho são responsáveis por 28% do volume de dinheiro movimentado no setor turístico. Mas a temporada não está sendo considerada das melhores pela rede hoteleira, que está registrando uma tendência de queda no número de estrangeiros, ao mesmo tempo que constata uma reação na fatia de turismo regional.
O Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Similares de Foz do Iguaçu estima que a cidade receba, em julho, 25 mil argentinos, principalmente nos 10 últimos dias do mês. Se mantida a média de gasto diário dos estrangeiros em 1997 (de R$ 230,00), multiplicada por dois dias (tempo médio de permanência), chega-se ao montante de R$ 11 milhões em um mês. Além do ramo gastronômico, o grosso dos gastos dos argentinos no comércio de Foz se concentra em lojas de calçados e de departamentos, como informa o Serviço de Proteção ao Crédito.
A temporada foi decepcionante. Tivemos metade da frequência do ano passado, admite José Evangelista do Carmo, do Departamento de Vendas do Hotel San Juan. O funcionário comenta que a única fatia que registra um crescimento, ainda que pequeno, é a dos aposentados. É uma faixa etária que teme menos a questão da insegurança, até porque não saem muito à noite, explica.
José Maria Rak, do setor de reservas do Hotel San Raphael, constata que a diminuição do tempo de permanência é um dos fatores para a queda nas taxas de ocupação. Eles ficam três, há quatro anos ficavam cinco, compara. Em julho e feriados (na Argentina) 90% dos hóspedes do San Raphael são argentinos.
Mas, o gerente Carlos Silva, do Hotel Rafain Centro, acredita que a tendência para as próximas férias de inverno é que mais turistas domésticos se hospedem em Foz. Desde o ano passado, temos percebido mais turistas da região e do Paraná, diz Silva. Este incremento no número de turistas regionais pode ser reflexo da divulgação em cidades médias do Sul do Brasil. Desde o primeiro semestre, o trade turístico da cidade está fazendo workshops periódicos e itinerantes em pólos regionais.Ney de SouzaÔnibus de turismo engrossam
o trânsito e durante a
noite se amontoam em frente a
locais badalados da cidadeLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha





