Argentinos lotam ruas do Rio
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quinta-feira, 25 de julho de 2013
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Rio - Apesar de rápido, cerca de 10 minutos, o encontro do papa Francisco com os argentinos ontem na Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, foi intenso. Pela primeira vez falando de improviso, para cerca de 5 mil conterrâneos, o pontífice pediu aos jovens que valorizem os mais velhos.
Coincidentemente, a reportagem encontrou no meio da multidão peregrinos argentinos que, mesmo não tendo participado da cerimônia, vieram à Jornada Mundial da Juventude (JMJ) para colocar em prática o ensinamento de Francisco. Eles fizeram três dias de viagem, saindo de Zárate, província de Buenos Aires, trazendo um quadro pintado por uma idosa da paróquia municipal.
De acordo com a peregrina Lorena Taneli, "o desenho do papa foi feito por uma mulher que está enferma e que teve um sonho que o Santo Padre poderá interceder pela sua saúde". "Por isso é um quadro muito precioso", emocionou-se.
Outro peregrino, Roberto Águila, integrante do grupo, informou que a idosa doente é muito querida na comunidade e que, devido à condição de saúde, não poderia viajar. O quadro que trouxeram foi entregue aos assessores do papa, quando ele deixava o Hospital São Francisco de Assis, na quarta-feira. Mesmo com a chuva e o frio, eles e os outros argentinos, aproximadamente 20 mil que ocuparam as ruas ao redor da Catedral, cantaram e aplaudiram durante todo o tempo em que o papa ficou no local.
Para se proteger do mau tempo, Berta Gastali, de 71 anos, acompanhada da filha e de uma amiga, procurou abrigo em baixo da passarela de pedestres que passa pela Avenida Chile, em frente à igreja. Ela contou que haviam chegado de viagem pela manhã. Para a simpática senhora, o esforço vale pena. "Ele sempre deu alegria à Argentina. É nosso amado."
Ao deixar a Catedral, o padre argentino Wagner Gmeli, que integrava um grupo que passou a madrugada fria e chuvosa na frente da igreja para acessar a audiência com o Papa, disse à FOLHA que a mensagem inicial foi direcionada "aos velhinhos para que ajudem a passar valores para as novas gerações". "Quanto aos jovens, o papa quer que façam lio, isso é bagunça em espanhol. Mas essa bagunça é de alegria, tem que ir pra rua, não podem se contentar com as paredes que oprimem, com a situação cômoda, mas têm que evangelizar."
* O repórter viajou em parceria com a Rádio Paiquerê AM


