Argentinos criam sites para defender ditadura e nazismo
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 10 (AE) - A Internet tornou-se a nova tribuna para que a extrema-direita argentina possa divulgar suas idéias. Os sites que promovem a defesa irrestrita da última ditadura militar argentina (1976-83) costumam não ter autoria definida. O principal e mais completo dos sites é o "Terrorismo na Argentina: para que a violência não regresse nunca mais". Ali, critica-se a detenção dos generais Jorge Rafael Videla e do almirante Emílio Massera, e detalham-se argumentos jurídicos contra o processo aos ex- repressores.
O site propõe trocar o termo "repressão" por "guerra", alegando que "organizações terroristas declararam guerra" às forças armadas. Os organizadores do site, que segundo investigações jornalísticas seria principalmente Carlos Torlaschi, presidente da organização "Grupo de Almirantes da Reserva", sustentam que não houve desaparecidos políticos, e que tudo não passa de uma "enganação".
O site possui um fórum de debates, que recebe mensagens de todo o mundo. Ali são costumeiras as saudações nazistas "Sieg Heil!", afirmações como "limpemos o mundo deste maldito sionismo" e similares. Entre elas, existem frequentes mensagens do "Centro brasileiro de Solidariedade ao Paraguai", onde se faz uma apologia ao ex-militar golpista Lino Oviedo, e onde se ataca o atual governo paraguaio.
A internet deu aos ultradireitistas de todo o mundo uma possibilidade de difusão que não possuíam desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Segundo o diretor do Centro Wiesenthal para a América Latina, Sergio Wieder, existe um grande risco que o material de propaganda nazista internet possa ser ingenuamente utilizado como material de consulta por estudantes do segundo ou terceiro graus. "O que aconteceria se fossem buscar informação sobre Auschiwtz e encontrassem material nesses sites?", perguntou.
O nazismo também conseguiu grande número de adeptos: só na Argentina existem 14 sites na Internet. Até pouco tempo atrás, os sites espanhóis (a maioria fazendo apologia do caudilho Francisco Franco, que governou o país por 39 anos) predominavam na web, mas agora os sites argentinos estão em seus calcanhares, e pelo menos já se tornaram a maioria dos sites fascistas da América Latina.
No Parlamento argentino já existe um projeto para deter o crescimento dos sites de propaganda nazista. O problema é que não há como regular a Internet, já que o site pode ser produzido fora do país.
O site mais famoso é o"Libertad de Opinión", do líder nazista Alejandro Biondini. Conhecido como o "pequeno Fuhrer argentino", Biondini foi preso no início da década por insistir em ostentar a suástica como emblema de seu partido, o "Nuevo Triunfo". O líder chegou a criar um nome-de-guerra mais sonoro para fins de propaganda: "Kalki".
Ao ficar em liberdade, após um ano e meio na prisão, manteve-se discreto.
Mas pouco depois descobriu que os tempos de gráficas clandestinas e panfletos distribuídos nas esquinas havia passado: tornou-se o Fuhrer da web argentina, fundando a "Rede Kalki". No site deste mês em "Libertad de Opinión", os temas são variados, mas abarcam desde protestos contra o acordo de vôos para as ilhas Malvinas, passando por um processo judicial contra um banqueiro judeu, até a polêmica pesquisa da revista Time para escolher "a personalidade do século", onde até o momento, e por causa dos internautas nazistas, Adolf Hitler está liderando a votação.
"Como El Cid, Hitler continua aterrorizando e vencendo seus inimigos após a morte", diz o texto, que sustenta que "o nacional- socialismo e seu líder continuam firmes nos ideais de muitos povos" e incita os simpatizantes a continuar votando pelo Fuhrer.
Além de sua própria página, com um panteão de heróis mortos pela causa, hinos e textos de opinião, possui links com outros oito sites nazistas argentinos (existem sites de grupos neonazistas rivais que não inclui); sites do Brasil, como o da Ação Integralista Brasileira; o "Orgulho Snkinhead" do Uruguai, "No Sul do Mundo", do Chile, e ainda o"Movimento Nacional-Socialista Peruano".
O nacional-socialismo e a religião também têm seu espaço na web: o site"ásatrú" onde em plena América Latina prega cultos nórdicos ao deus Odin, e a superioridade da raça ariana.


