Argentinos condenados pelo sequestro de Diniz ameaçam fazer nova greve de fome
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 18 (AE) - Os dois argentinos condenados pelo sequestro do empresário Abílio Diniz, os irmãos Humberto e Horácio Paz, ameaçam entrar em greve de fome na segunda-feira (21). Nesse dia, eles receberão a visita de uma comissão de deputados estaduais e federais de partidos de esquerda. Somente após o encontro é que a decisão deve ser tomada. Os sequestradores, que estão no Centro de Observação Criminológica (COC), no Carandiru, querem ser transferidos para a Argentina, onde cumpririam o resto das condenações.
Em janeiro, Brasil e Argentina assinaram um termo que permitiria a vigência do tratado de transferência de presos entre os dois países antes de ele ser aprovado pelo Congresso. Segundo a Procuradoria de Justiça de São Paulo, o termo era ilegal. Mais tarde, o tratado foi aprovado no Congresso. "Vivemos um impasse: o governo brasileiro quer assinar com o governo argentino o tratado aprovado pelo Congresso, mas os argentinos já consideram suficiente o que foi assinado em janeiro", disse Breno Altman, porta-voz do comitê de apoio aos sequestradores. Terceira - Caso decidam pela greve, ela será a terceira em menos de um ano feita pelos presos. Os dois foram os líderes do sequestro de Diniz, ocorrido em 1989. Em dezembro, ambos tiveram suas condenações a 28 anos de prisão pelo crime diminuídas para 18 anos e 10 meses (Humberto) e 17 anos e 10 meses (Horácio) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em janeiro, eles e outros seis sequestradores que ainda estavam presos em São Paulo acabaram com a mais longa greve de fome feita nas prisões brasileiras - o protesto durou 46 dias.
Além da redução das penas, os sequestradores obtiveram, com a segunda greve, a transferência dos cinco chilenos para seu país de origem, onde eles deverão cumprir o restante da pena - os dois canadenses presos pelo crime já haviam sido enviados para o Canadá em novembro. Essas transferências foram feitas por tratados internacionais aprovados pelos Congressos e governos dos três países. O único brasileiro do grupo, Raimundo Rosélio Costa Freire, condenado a 17 anos e 10 meses, foi transferido para o Ceará, onde conseguiu a liberdade condicional.


