São Paulo, 21 (AE) - Os dois argentinos condenados pelo sequestro do empresário Abílio Diniz, irmãos Humberto e Horácio Paz, entraram novamente em greve de fome ao meio-dia de hoje, em São Paulo. Eles querem ser transferidos para a Argentina, onde cumpririam o restante de suas penas ou obteriam liberdade condicional. É o terceiro protesto do tipo feito pelos sequestradores em menos de um ano. Eles estão no Centro de Observação Criminológia (COC), no Complexo Penitenciário do Carandiru.
O Ministério da Justiça informou em Brasília que a transferência depende apenas do governo argentino. Os dois canadenses e os cinco chilenos envolvidos no crime já deixaram o Brasil. O único brasileiro do grupo, Raimundo Rosélio Costa Freire, condenado a 17 anos e 10 meses, foi transferido para o Ceará, onde obteve liberdade condicional.
"O que Humberto e Horácio Paz mais querem é essa transferência, pois todos os outros condenados já conseguiram", afirmou o porta-voz do comitê de apoio aos sequestradores, Breno Altman. "Por isso decidiram fazer greve de fome para pressionar o governo brasileiro a resolver o problema o mais rápido possível."
Refeição - Hoje pela manhã o deputado estadual Renato Simões (PT), visitou os dois irmãos. Ao meio-dia, o ex-deputado federal Luís Eduardo Greenhalgh esteve no local. "Eles disseram que após seis meses do término da segunda greve de fome ainda não foi decidido nada em relação aos dois e a greve só vai acabar com a transferência ou com a liberdade condicional", contou Greenhalgh.
Os dois irmãos iniciaram a greve de fome após o almoço. "Eles tomaram o café da manhã e almoçaram um pouco antes do meio-dia, no início da tarde a direção do COC foi avisada de que os dois não irão mais receber comida", informou Altman. Segundo o porta-voz do comitê, os argentinos já haviam se recuperado da outra greve de fome, que durou 46 dias e terminou em janeiro. Foi o mais longo protesto desse tipo feito nas prisões brasileiras.
Acordo - Segundo o Ministério da Justiça, o acordo de transferência de presos foi aprovado em 25 de janeiro. Em 10 de março, o governo brasileiro enviou nota diplomática ao governo argentino, informando sobre a sua aprovação. Hoje o ministro Renan Calheiros informou, por intermédio de seus assessores, que está disposto a enviar logo os irmãos para cumprir pena na Argentina, mas tudo depende do governo do presidente Carlos Menem.

mockup