Foz do Iguaçu - Grupos de sem-teto e políticos argentinos de Puerto Iguazú, na fronteira com o Brasil, entraram em confronto na disputa pelos alimentos doados por entidades brasileiras. Por causa do impasse, o carregamento de 1,8 mil quilos de produtos não-perecíveis doados na sexta-feira pela comunidade árabe de Foz do Iguaçu, foi parar no pátio da Polícia Estadual da Província de Missiones, na cidade vizinha.
Os alimentos que deveriam ser doados para cerca de 300 sem-teto acampados na praça central, localizada na frente da Prefeitura de Puerto Iguazú, acabaram sendo levados para a Secretaria de Ação Social do Município, distante dois quilômetros do acampamento. Revoltados, os sem-teto impediram que a carga fosse deixada no prédio. Houve conflito entre os acampados, vereadores e representantes do Município. A polícia interferiu retendo a carga.
Os alimentos só deverão ser liberados pelos policiais quando os dois grupos entrarem num acordo. Os sem-teto acusam o prefeito Timóteo Lhera de querer usar as doações feitas pela comunidade de Foz do Iguaçu para atender interesses políticos pessoais.
O prefeito se defende, alegando que vai distribuir os donativos para as famílias pobres cadastradas pelo Município. Segundo ele, essa seria uma forma de não fazer distinção entre os pobres de Puerto Iguazú, já que existe um grande contigente de pessoas carentes no município. Só no último ano, subiu de 2,6 mil para 3,8 mil, o número de pessoas atendidas por dia pela Ação Social.
Além da questão política, a solidariedade brasileira enfrenta ainda outro problema para chegar até o povo argentino. Por causa da burocracia aduaneira, os alimentos doados pela comunidade de Foz só podem entrar em Puerto Iguazú, depois da liberação da Coordenação de Aduanas, em Buenos Aires. O procedimento é lento e muitas vezes acaba prejudicando as relações entre os dois países.
O movimento de solidariedade de Foz do Iguaçu para matar a fome dos sem-teto argentinos foi organizado no início da semana passada. A campanha é coordenada por empresários com o apoio de grupos políticos e religiosos. Metade dos 15 mil moradores de Puerto Iguazú vive abaixo da linha da pobreza. Segundos dados da Prefeitura local, 7 mil estão desempregados.

mockup