São Paulo, 20 (AE) - O governo da Argentina voltou a insistir hoje na oferta de venda ao Brasil do Boeing-757 "Tango Uno", comprado em 1996 pelo ex-presidente Carlos Menem e colocado à venda pelo seu sucessor, Fernando de La Rúa, que o considera luxuoso e dispendioso demais.
O preço baixou. Caiu dos US$ 70 milhões pedidos há um mês, para US$ 45 milhões. A proposta prevê que dois terços desse valor possam ser cobertos por produtos brasileiros de exportação. O Boeing-757 será entregue revisado e acompanhado de considerável estoque de peças de reposição. O Palácio do Planalto informou ontem que não pretende comprar um novo avião para servir à Presidência, tendo optado pelo fretamento mediante concorrência pública entre as operadoras nacionais de transporte aéreo.
A divisão de vendas internacionais da Boeing Corporation está assessorando as autoridades argentinas na operação comercial, "que ao final deverá resultar na incorporação de um outro avião presidencial, menor, mais barato e mais prático como quer o presidente de La Rua", segundo o diretor regional da empresa fabricante, Carlos Horan.
O "Tango Uno" voa a 900 km/hora, tem autonomia intercontinental e quando foi adquirido por Menem estava sendo configurado para o emir do Catar. A decoração projetada para atender às especificações do monarca árabe - que concordou em ceder o avião à presidência da Argentina - é sofisticada, com revestimento de carvalho, latão e cobre.
A forração do piso de dois dos três grandes ambientes em que a cabine foi dividida, é de carpete cinza claro com 8 centímetros de espessura. Há uma sala de reuniões equipada com mesa oval de 21 lugares, bar com balcão de mogno, cozinha completa, pequenos ambientes com sofás e poltronas, e um arranjo interno móvel para abrigar, no máximo, 80 passageiros. (A capacidade padrão é de 156 poltronas em três classes.) As acomodações privativas do presidente incluem uma suíte com gabinete de trabalho, quarto com cama de casal, e banheiro com ducha e banheira.
A força aérea argentina, responsável pelos vôos e pela manutenção do "Tango Uno", não aprovou a sugestão do gabinete civil do presidente Fernando de La Rúa para que o jato fosse cedido em regime de leasing para eventuais interessados no uso temporário do aparelho. Os militares consideraram que os riscos para a segurança seriam excessivos.
A venda no mercado é comprometida pelo alto preço do Boeing, em contrapartida com modelos de jatos executivos de grande porte
mais novos e mais baratos. O principal deles é o Boeing-737 BBJ (semelhante ao bi-reator utilizado na ponte aérea Rio-São Paulo)
cotado em US$ 30 milhões.

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