São Paulo, 17 (AE) - O Instituto Argentino de Executivos de Finanças (Iaef), que agrupa os principais presidentes e diretores das empresas mais importantes da Argentina, acusa o governo Menem de gerar, com atitudes populistas e demagógicas, uma "imagem negativa" do país nos mercados externos.
O Iaef afirma ainda que as atuais propostas dos partidos políticos não estão conseguindo seduzir os executivos argentinos. Por isso, a maioria acredita que os discursos e as propostas dos candidatos da situação e da oposição "estão cheias de idéias vazias".
Uma pesquisa relâmpago realizada ontem (quinta-feira pelo jornal "La Nación", durante a convenção anual do Iaef, que discutiu "Os próximos desafios da Argentina", mostra que 87% dos entrevistados acreditam que o candidato da Aliança, Fernando de la Rúa, será o vencedor das eleições do dia 24 de outubro. Mas, ponderam os entrevistados, "De la Rúa não é a pessoa mais idônea para administrar o país".
Se pudessem influenciar no resultado final das eleições, escreve o "La Nación", 68% dos empresários preferiram o ex-ministro de Economia Domingo Cavallo como presidente do país. De acordo com o "La Nación", o segundo jornal mais influente da Argentina, a admiração dos executivos pela figura de Cavallo não é novidade. "Desde que deixou o governo, para iniciar a sua carreira política, Cavallo tem recebido, a cada ano, um apoio maciço do Iaef", escreve o jornal.
O resultado da pesquisa mostra ainda que apenas 13% apostam em um resultado favorável a Eduardo Duhalde, candidato to Partido Justicialista (Peronista). Mas apenas 65% desse 13% declararam estar dispostos a votar nele. "Cada vez mais, parece que o andamento da economia do país depende menos das transformações da vida política. Por isso, 51% dos mais importantes empresários acreditam que as políticas de desregulamentação e abertura econômica serão mantidas, independentemente de quem for o vencedor das eleições", escreve o "La Nación".
O descrédito na classe política na Argentina é tão grande que 84% dos empresários consideram que as reivindicações sociais que hoje fazem parte do eixo principal do discurso político dos candidatos não serão atendidas. Eles acreditam que a recessão econômica adiará o andamento de medidas que permitam paliar as desigualdades no país.
O ceticismo dos empresários argentinos se estende ainda ao futuro da reforma trabalhista. Embora 86% acreditem ser necessário e importante para melhorar a competitividade do país, 56% sustentam que, apesar das promessas, ela não será implementada.

mockup