Arapongas - Quem nunca recebeu atendimento em casa, comemora a chegada dos médicos estrangeiros no Programa Saúde da Família. Em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), o argentino Nicolas Mariano Antonini, de 26 anos, realiza visitas nas residências e atua em uma unidade básica de saúde. Em média, 20 pessoas por dia passam pelo consultório dele na Unidade Básica de Saúde (UBS).
"Estou muito feliz com o trabalho e com a receptividade. Queria conhecer a fundo os trabalhos no Brasil", conta Antonini. O médico veio para o País acompanhado da esposa, que atua na mesma profissão. A brasileira se formou na Argentina e também participa do Programa Mais Médicos. Para Antonini, a possibilidade de conhecer os pacientes pelo nome e de visitá-los em casa gera um vínculo que favorece o tratamento.
A dona de casa Rosalina Henrique Ramos conta que as equipes do Saúde da Família não costumavam ir até o bairro para cuidar do filho dela. Geovan Henrique Ramos, de 27 anos, ficou paraplégico depois de sofrer um acidente de moto sete anos atrás. O rapaz precisa de cuidados especiais e não pode se locomover com frequência para o posto de saúde. "A desculpa que me davam era que os médicos só poderiam vir aqui em casa no mesmo horário em que o Geovan precisava fazer hemodiálise. Por isso as agendas não batiam", diz.
O fato do médico ser estrangeiro e de ser mais novo que o paciente não assusta Ramos. "Gosto de ser atendido por ele", afirma o jovem. Divergências mesmo, só durante a Copa do Mundo. "Eu sou argentino, mas casado com uma brasileira e no Brasil, então... Vamos ver como fica", se esquiva o médico.
Em Arapongas, os dois profissionais do Mais Médicos recebem R$ 1.100 como auxílio-moradia e R$ 371 referente ao vale-alimentação. De acordo com o secretário de Saúde de Arapongas, Alcides Livrari Junior, a prefeitura já promoveu um concurso para contratar mais nove profissionais. Seis médicos foram aprovados e o município estuda a possibilidade de realizar um novo concurso público.(V.C.)

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