Buenos Aires, 03 (AE) - A Argentina vai para as reuniões de Montevidéu destas quinta e sexta-feira sem grandes expectativas.
Na Chancelaria e no Ministério da Economia, há poucas esperanças de que ao terminar a sexta-feira ocorram grandes anúncios, e calcula-se que este encontro somente possibilitará "alguns pontapés iniciais" em pontos de discussão que estavam pendentes há meses.
O Secretário de Relações Econômicas Internacionais, Jorge Campbell, principal negociador argentino no Mercosul, declarou à imprensa brasileira em Buenos Aires, que "no atual momento, o fato de que nos reunamos formalmente com os brasileiros, como pessoas educadas, para dizer que somos amigos, não é pouca coisa. Mas eu espero mais do que isso nesta reunião".
Campbell destacou que em Montevidéu "se conversará sobre o que ficou combinado na reunião entre os presidentes Carlos Menem e FHC de junho em Buenos Aires, que é a coordenação macro-econômica e as leis de responsabilidade fiscal". O secretário sustentou que na reunião "se avançará em alguns pontos, mas é óbvio que não vamos definir o mini-Maastricht agora".
Além disso, escolhendo cuidadosamente as palavras, Campbell sustentou que a Argentina pretende falar sobre quais instrumentos "o Mercosul deve criar para si próprio de forma a enfrentar mudanças bruscas de preços relativos por razões macro-econômicas em alguns dos países". Segundo Campbell, este é um ano "não-bom", onde "o mau-humor cresce, e a função dos integrantes dos governos é ser muito prudentes em suas declarações públicas".
Campbell disse que a desvalorização do real, a mudança de ministros no Brasil e a recente tensão entre os dois países atrasou as negociações do regime automotivo: "nos próximos meses será mais fácil voltar ao trabalho e encontrar uma solução ao regime. Confio na sensatez dos dois governos, mas se o regime passar a ser uma peça de uma negociação, está perdido".
Campbell duvida que em Montevidéu seja possível estabelecer acordos específicos sobre temas conflitivos, como o caso dos calçados. O secretário sustentou que pelo menos será encontrada uma solução "temporária". Campbell disse que os governos não pretendem apadrinhar acordos setoriais, mas facilitarão o ambiente de entendimento: "os empresários dos dois lados estão suficientemente conscientes do problema, e têm vontade de arrumá-lo. Falta o empurrãozinho político, e acho que agora estão as condições para fazê-lo".
No final da tarde de hoje, a União Industrial Argentina (UIA), reuniu-se com o ministro da Economia e o Secretário da Indústria e Comércio para pedir medidas de proteção para a indústria nacional. A UIA entrou na reunião pretendendo pedir a manutenção das salvaguardas no Mercosul.

mockup