Buenos Aires, 23 (AE) - "Temos que ser prudentes", afirmou à imprensa o secretário de Relações Econômicas Internacionais da Argentina, Jorge Campbell, explicando as expectativas de seu país em relação à Cimera dos países latino-americanos com a União Européia que será realizada no Rio de Janeiro nos próximos dias 28 e 29.
Cético nas expectativas, o secretário declarou que "todos nós estamos conscientes de que é um fato importante que a negociação comece. No entanto, também estamos conscientes que os pontos importantes vinculados aos assuntos agropecuários não avançarão até que não se defina o que vai acontecer com a Rodada do Milênio, e se é que tal rodada acontecerá, de como será negociada".
Campbell afirmou que a decisão dos chanceleres da União Européia (UE) de negociar os acordos de livre comércio a partir de julho de 2001, é um fator "positivo", mas que deve ser tomado com prudência.
No entanto, Campbell destacou que a disposição européia à negociação indica a importância que o Mercosul possui como bloco econômico. O secretário afirmou que o Mercosul aplicará com a UE o mesmo conceito que foi aplicado com os Estados Unidos nas negociações sobre a Alca: nenhum setor começará a ser liberalizado se não houver acordo em todos os setores.
Apesar disso, Campbell disse que entre a Cimeira do Rio e a reunião do ano 2001 poderão ser realizadas negociações onde seriam reduzidos os obstáculos burocráticos para o comércio entre o Mercosul e a UE. O secretário também deixou claro que a agricultura é um tema vital para seu país: "na Argentina, mais do que definir- nos como durões nesse ponto, poderíamos denominar-nos gurkas (uma irônica alusão aos guerreiros nepaleses cortadores de cabeças)".
Campbell também sustentou: "não permitiremos que nada seja discutido se não estiver incluído o tema agropecuário. A discussão destes últimos dias na União Européia sobre a agricultura foi causada pela posição dura do Mercosul".
Segundo o secretário, "a posição é dura porque percebemos que poucas coisas serão tocadas na discussão agrícola". A agropecuária é fundamental para a economia argentina: o setor representa 60% do total de exportações.
Há três semanas, na minicúpula que teve com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente Carlos Menem já havia alertado sobre as baixas expectativas argentinas sobre a Cimeira: "esta reunião poderá ser muito bonita, mas não acho que os resultados sejam muito positivos".
O presidente Carlos Menem chegará ao Rio na segunda-feira de manhã. No dia anterior já estará no Brasil o chanceler Guido Di Tella. O Secretário Jorge Campbell, o principal negociador argentino, estará desde o sábado. Além deles, a comitiva argentina estará integrada pela Secretária de Assuntos Consulares, Alicia Martínez Ríos; o Subsecretário de Política Latino-Americana, Julio Freyre; o Subsecretário de Integração Econômica Americana e Mercosul, Alfredo Morelli; o Diretor de Assuntos Regionais, Alberto Prósperi, e o Diretor de Cooperação Multilateral, Emilio Pardo.

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