Buenos Aires, 19 (AE) - Desde hoje (19), o aço lâminado brasileiro passa a ter obstáculos para sua venda na Argentina. Considerando que aplica-se dumping no aço brasileiro, o ministro da Economia, Roque Fernández, assinou uma resolução onde aumenta as taxas alfandegárias para as operações de importação de produtos laminados planos de ferro ou aço sem aleações e laminados em quente. Os países atingidos pela resolução são a Rússia, Ucrânia e Brasil.
Este foi o resultado de meses de pressões ao governo argentino por parte da poderosa empresa Siderar, que dirigiu a maior parte de suas denúncias sobre dumping nas lâminas de aço que estavam entrando no país contra a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Os argentinos que quiserem continuar comprando aço brasileiro terão de pagar um preço maior que o normal: para as chapas de aço orginárias do Brasil, o importador teria de pagar impostos por US$ 410 a tonelada, embora tivesse comprado por um valor inferior. No caso das compras da Rússia e da Ucrânica, o valor mínimo de importação FOB é de US$ 315 por tonelada.
A medida vigorará por quatro meses. A resolução estava sendo esperada pelo mercado argentino nesta segunda-feira: as ações da empresa Siderar subiram 15,95%, as da Acindar 2,98% e as ações da Siderca, 3,16%.
Simultaneamente à notícia dos obstáculos para a venda do aço brasileiro na Argentina, o ministro Fernández assinou uma resolução que outorga uma preferência alfandegária de 10% sobre o direito de importação intra-zona vigente às compras de açúcar procedentes do Brasil e do Uruguai. Desta forma, as taxas sobre o açúcar brasileiro, atualmente oscilantes entre 20% e 23%, passariam a oscilar entre 10% e 13%. As medidas sobre o açúcar e o aço entrarão em vigor a partir de sua publicação no diário oficial, possivelmente nesta terça-feira.

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