Argentina teria recebido ultimato do Brasil sobre a Otan
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domingo, 18 de julho de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 19 (AE) - O jornal argentino "Página 12" afirma que o Brasil teria comunicado à Argentina que este país precisaria escolher entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Mercosul.
O dilema colocado ao governo de Buenos Aires refere-se ao recente pedido argentino de integrar a OTAN na categoria ainda inexistente de "Estado associado". O pedido argentino causou polêmica e repúdio na semana passada no Brasil, já que com um hipotético vínculo com a OTAN, a Argentina passaria a alterar a balança de poder na América do Sul, além de colocar em segundo plano a integração militar com o Brasil.
O anúncio da intenção argentina de integrar a OTAN, realizado pelo próprio presidente Carlos Menem, foi feito sem avisar o Brasil, fato que causou desgosto no governo brasileiro.
Segundo o "Página 12", o embaixador argentino em Brasília, Jorge Hugo Herrera Vega, teria recebido o que uma fonte da Chancelaria em Buenos Aires qualificou de "ultimato".
Citando essa fonte, o jornal sustenta que um alto funcionário do Itamaraty teria dito a Herrera Vega: "vocês escolham: ou a OTAN ou o Mercosul". O encontro, sustenta o "Página 12", teria ocorrido dentro do próprio Ministério das Relações Exteriores em Brasília.
Em uma breve conversa com a Agência Estado, o embaixador Herrera Vega não confirmou, mas também não desmentiu a informação: "Se dissesse que sim, mentiria, se dissesse que não
também lhe mentiria. Isso indica que não vou comentar este assunto", disse.
Fontes diplomáticas em Buenos Aires disseram à AE que a "louca aventura de Menem de querer colocar a Argentina na OTAN termina em outubro, com as eleições presidenciais. Tanto o candidato do governo, Eduardo Duhalde, como o da oposição, Fernando De La Rúa, não pretendem embarcar nessa canoa". Segundo a fonte, "o governo brasileiro pode ficar tranquilo, que o próximo (presidente), seja qual for, incentivará a integração militar com o Brasil".
Além disso, altas fontes diplomáticas afirmaram à AE que o governo argentino pretenderia mandar homens à Colômbia no caso de uma intervenção norte-americana nesse país. A intervenção dos Estados Unidos para o combate às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que domina 40% do território colombiano, é um tema especulado há vários meses. Mas o elemento novo seria o envio de tropas argentinas à Colômbia, que consistiria em mais um passo na aproximação deste país com os EUA: em 1991 o presidente Menem colaborou na Guerra do Golfo, enviando duas fragatas.
Enquanto o "casamento" Argentina-OTAN não se formaliza, os passos prévios de "namoro" estão cada vez mais intensos: o ministro da Defesa, Jorge Domínguez, anunciou que enviará 500 militares a Kosovo, para colaborar com as tropas da OTAN em tarefas de apoio e reconstrução nas próximas semanas. Os primeiros 150 homens partirão nos próximos dez dias.


