Buenos Aires, 04 (AE) - O governo argentino está elaborando rapidamente um plano para combater o êxodo de indústrias ao Brasil. A União Industrial Argentina (UIA) calcula que mais de uma centena de empresas já emigrou para o lado brasileiro da fronteira nos últimos dozes meses, de forma parcial ou completa, ou que pelo menos está planejando sua partida. As primeiras indústrias que serão beneficiadas pelo plano são as do setor de autopeças, máquinas de ferramentas, curtumes e a agro-indústria.
Entre as principais medidas do denominado "Plano pró-competitividade", que seria anunciado no fim de fevereiro, estão o financiamento para taxas de juros sobre o Imposto de Valor Agregado (IVA) de novos investimentos produtivos, estímulos para a importação de bens de capitais, permissão temporária para importações não produzidas dentro do Mercosul, agilização de decisões sobre casos de importações com dumping e contrabando. O anúncio foi feito pela secretária da Indústria e Comércio, Debora Giorgi, que para poder implementar parte das medidas o governo contará com um programa de US$ 200 milhões.
Segundo a secretária, "temos uma sensação que houve uma redução no êxodo e no fechamento de empresas. Notamos uma mudança na percepção da situação argentina". No entanto, Giorgi admitiu que é difícil que "empresas que tomaram a decisão de partir há dois anos voltem agora". A secretária sustentou que este ano a produção industrial crescerá de 5% a 6%. Além disso, Giorgi afirmou que "os setores que aguentaram até agora, que sobreviveram a estes últimos quatros anos, vão florescer. Se elas aguentaram, é sinal que possuem um enorme potencial".
Um relatório da embaixada brasileira em Buenos Aires contra-argumenta os protestos argentinos pelo êxodo, explicando que enquanto indústrias argentinas deixavam seu próprio país, duas centenas de empresas brasileiras apostavam na Argentina, e investiam intensamente neste país: nos últimos cinco anos, foram colocados US$ 5 bilhões de origem brasileiro na Argentina, gerando 11 mil empregos diretos. Entre os investimentos estão a compra do Banco del Buen Ayre, por parte do Banco Itaú; a construção de uma nova fábrica da Brahma, e um mega-projeto da Petrobrás no sul do país.
Mas a Associação de Fábricas de Automóveis (Adefa) não pretende esperar um plano cujos resultados são incertos: ela pediu ao governo uma redução de 13% nos impostos do setor. Casos contrário, ameaçam suspender e despedir funcionários a partir de março ou abril.
Entre os vários motivos, a Adefa alega o fim do Plan Canje (Plano de renovação de frota), que ao longo de 1999, permitiu à indústria nacional vender 106 mil automóveis, suavizando a crise causada pela queda nas exportações ao Brasil. Com o lançamento do Plano, em julho do ano passado, as montadoras se comprometeram a deter as demissões que haviam começado em grande escala já no final de 1998. Na Argentina, as montadoras empregam 25 mil pessoas de forma direta, e 180 mil de forma indireta.
Segundo o presidente da Adefa, Luis Ureta Sáenz Peña, no ano passado as montadoras tiveram perdas de US$ 700 milhões. No entanto, rumores em Buenos Aires sustentam que na realidade, as montadoras argentinas venderam 20% a mais do que anunciaram, e que os lamentos são mais jogo de cena do que sofrimento real.
Sáenz Peña também afirmou que a falta de competitividade com o Brasil foi de 31%, devido à desvalorização do real, mas também por causa da diferença em subsídios, custos trabalhistas e tributários. A Adefa sustenta que em janeiro, as exportações chegaram a 1.680 unidades, o que indica uma queda de 80,5% em relação a dezembro, e de 71% em relação a janeiro de 1999. Para o ano 2000, as montadoras argentinas prevêem uma queda de 10% nas vendas gerais.

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