Argentina suspendeu salvaguardas contra têxteis
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 13 (AE) - O ministro da Economia da Argentina, José Luis Machinea, assinou a suspensão da resolução 861/99, que aplicava salvaguardas contra os têxteis importados do Brasil. A assinatura do ministro ocorre após nove meses de aplicação de uma medida que foi o estopim de uma série de crises comerciais que abalaram a credibilidade do Mercosul ao longo do ano passado.
A medida atingiu os tecidos planos de algodão e de sarja, e o governo argentino somente concordou em abolir as restrições após ter sido obrigado pelo Tribunal Arbitral do Mercosul. Com o fim da medida, os têxteis brasileiros poderão entrar livremente na Argentina.
No entanto, durante os próximos dez dias, o governo argentino se reserva um instrumento mais sutil de restrições: o monitoramento das importações de têxteis. Com esta medida, o governo local pretende controlar preços e volumes dos carregamentos brasileiros. A Secretária da Indústria e Comércio, Debora Giorgi, declarou que enquanto esse controle for realizado
espera que empresários dos dois países cheguem a um acordo setorial.
Do lado argentino, o presidente da Federação Argentina da Indústria Têxtil, Alejandro Sampayo, afirma que estas conversações inexistem.
Segundo ele, as empresas do setor começarão uma série de processos judiciais contra a suspensão das salvaguardas. Analistas consideram que possa se repetir o caso dos frangos brasileiros importados na Argentina, onde a Justiça estabeleceu cotas para a entrada desse produto provenientes do Brasil.
A secretária Giorgi sustenta que os acordos setoriais são uma saída para diversas áreas que estão em impasse há vários anos: calçados, papel e frangos são alguns deles. Segundo a secretária, nos últimos anos parte do esforço dos empresários argentinos em conseguir competitividade foi anulado pelo aumento dos subsídios aplicados no Brasil e pela desvalorização do real.
Por esse motivo, Giorgi sustenta que é preciso que setores empresariais dos dois países negociem um "regime de adequação"
ou seja, um período de transição para que os empresários argentinos modernizem seus equipamentos, reduzam seus custos, e possam estar equiparados a seus colegas brasileiros. O pedido argentino implicaria em que alguns setores brasileiros teriam que realizar uma auto-restrição de vendas ao mercado argentino por tempo determinado.


