Buenos Aires, 29 (AE) - O governo argentino anunciou a suspensão do "Plan Canje", o Plano de Renovação de Frota local. Os motivos alegados pelo Ministério da Economia foram a reativação econômica do setor automotivo, que nos dois primeiros meses deste ano cresceram 10% a mais do que no mesmo período do ano passado; o crescimento dos créditos para a compra de automóveis e o acordo sobre o regime automotivo com o Brasil. Segundo o governo, o regime permitirá às indústrias maior previsibilidade, de forma a planificar seus investimentos.
Além disso, de acordo com o secretário de Fazenda, Mario Vicens, o custo fiscal do Tesouro argentino com o Plano Canje foi de US$ 1 bilhão. Vicens sustentou que "o setor já não precisa de muletas". A Secretária da Indústria e Comércio, Debora Giorgi, criticou a aplicação do plano, implementado no governo anterior, do ex-presidente Carlos Menem; "Jamais teria apelado para uma solução destas". Segundo ela, "o subsídio triplicava as medidas adotadas por outros países em, situações similares. Teria sido preferível uma redução de impostos".
No Plano argentino, o governo entregava certificados de troca por valores em média de US$ 3.100. A princípio, estipulou-se que o Estado se encarregaria de metade dos custos do financiamento dos certificados, e o resto seria dividido entre montadoras e concessionárias. Mas com o passar dos meses, essa proporção foi alterada, e o Estado argentino acabou encarregando-se de grande parte dos custos.
Os certificados eram concedidos no momento da entrega do automóvel à sucata. Até o momento, foram entregues 338 mil automóveis para sucateamento. No entanto, somente 170 mil certificados foram utilizados para a compra de um novo automóvel. Restam 168 mil certificados que terão que ser utilizados até o dia 31 de outubro, prazo final do Plano.
Entre as montadoras, a notícia causou surpresa. Grande parte dos empresários aceitou resignadamente a decisão de suspensão do Plano, mas admitiram que esperavam alguma medida em substituição
como uma redução nos impostos dos veículos. Segundo os empresários, do total do preço de venda dos automóveis, 40% constitui-se em impostos, e o resto, é custo.
Segundo a Adefa, a associação das montadoras argentinas, as vendas para o ano 2000 terão uma queda de 10% em relação à 1999. Com a revogação do Plano Canje, prevê-se que haverá um aumento nas vendas até outubro, prazo final do Plano, mas que depois a redução nas vendas poderá ser maior que a esperada para este ano. No entanto, a secretária Giorgi rejeita os lamentos empresariais, e considera que o setor crescerá de 5 a 7%.

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