Argentina sugere que Mercosul defenda entrada da China na OMC
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Renato Andrade 
Salvador, 27 (AE) - O governo da Argentina pretende mudar o foco das discussões sobre agricultura na reunião do próximo mês em Seattle, quando será realizada a Rodada do Milênio. O secretário de Assuntos Estratégicos da Argentina, Jorge Castro, disse hoje que os países membros do Mercosul devem defender a inserção da China dentro da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para Castro, a entrada da China é mais importante do que a discussão sobre o fim do subsídio às exportações praticado pelos países europeus. "A inserção da China representa uma abertura do mercado de produtos agropecuários", avaliou.
De acordo com dados apresentados por Castro, que participa em Salvador da 10ª reunião ordinária da Junta Interamericana de Agricultura, existe a expectativa de que a China importe, somente em grãos, cerca de 33 milhões de toneladas em 2010 e algo como 63 milhões de toneladas em 2030. "Sessenta e três milhões de toneladas de grãos é o volume de produção anual da Argentina", comparou.
No ano passado a Argentina exportou cerca de US$ 600 milhões para a China, sendo que deste total, US$ 400 milhões foram em produtos derivados do complexo soja. Em toneladas produzidas, a Argentina exportou 15% de sua produção de soja para aquele país em 1998.
Castro acredita que não será fácil implantar uma redução gradativa dos subsídios atualmente praticados na Europa. "Esta é uma questão muito arraigada nos países europeus", ponderou. O governo brasileiro defende que não haverá negociações na Rodada do Milênio sem uma discussão sobre o fim destes subsídios. O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, insiste que a Europa é atualmente a "grande vilã" no comércio mundial de produtos agrícolas.
O representante do governo argentino lembrou que as últimas eleições no continente europeu têm mostrado o ressurgimento de lideranças muito ligadas à extrema direita, o que, na sua opinião, é um importante indicador do grau de dificuldade que os países do continente americano terão em discutir o fim destes subsídios.
"Não há possibilidade de eliminar de uma vez estes subsídios, cada vez mais assistimos na Europa o ressurgimento de atitutdes conservadoras", frisou. Ainda assim, Castro ressaltou que a defesa da inserção da China no âmbito da OMC não impede a discussão sobre o fim aos subsídios. "A defesa da China significa a abertura de novos mercados, e uma pressão nos mercados europeus", avaliou.
O ministro da Agricultura do Chile, Angel Sartori, acredita que existe a possibilidade de se conseguir discutir em Seattle uma redução gradativa dos subsídios concedidos aos produtores europeus. Sartori pondera, no entanto, que a discussão sobre subsídios não é uma condição "sine qua non" para que ocorram as negociações da Rodada do Milênio.
Mercosul - O secretário da Argentina, Jorge Castro, defendeu que os países do Mercosul devem ter um único agregado agrícola. "Esta é uma proposta que está em estudo e que foi muito bem recebida pelos governos dos demais países que compõem o Mercosul", disse. Para o representante do governo argentino é preciso ter políticas comuns entre Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil, para que não ocorra uma competição entre estes países antes mesmo de discutirem a abertura de novos mercados no mundo. "Precisamos de políticas comuns, e taxas comuns para que os preços dos nossos produtos cheguem em outros mercados em um mesmo patamar", disse.
Para Castro, o Mercosul precisa se transformar em uma plataforma de exportações de produtos agrícolas, por isso defende a criação de um único agregado agrícola.


