Argentina se diz "descolada" de Brasil e planeja emitir US$ 6 bi
Nova York, 17 (AE-DOW JONES) - O ministro da Economia da Argentina, Roque Fernández, disse hoje (17) à noite a representantes de bancos norte-americanos reunidos no Fed (Federal Reserve) de Nova York que a Argentina tem conseguido "se diferenciar e se descolar da crise externa no Brasil". O ministro lidera um road show que busca minizar o impacto da desvalorização do real sobre a economia Argentina.
Fernández disse ainda que está otimista que o Brasil esteja "trabalhando muito, muito duro para aprovar algumas reformas estruturais no Congresso".
Entre os bancos que participaram do encontro estavam a Merrill Lynch, a Goldman Sachs, o Republic National Bank e o Citigroup. Os representantes dos bancos fizeram uma avaliação positiva ao término do encontro.
Paulo Leme, da Goldman Sachs, disse que a Argentina "é um caso bullish (de tendência positiva)". "O ministro fez uma excelente apresentanção sobre a economia", disse William Rhodes, do Citigroup.
Anteriormente, Fernández havia se reunido com as agências de classificação de risco, S&P e Duff and Phelps. "Tentamos convencê-los a elevar nossa classificação, mas não obtivemos qualquer resposta" sobre quando e se a elevação virá, afirmou o ministro.
Sobre a possível dolarização na Argentina, Fernández disse que se trata de um plano "muito natural, dado o sistema de currency board (câmbio fixo, atrelado ao dólar)" adotado pela Argentina em 1991, mas indicou que a implementação levaria entre dois e três anos. A Argentina ainda precisa conversar a respeito com representantes do governo norte-americano, "para expor a idéia e ver se eles estão interessados", acrescentou.
O ministro disse ainda que a Argentina espera emitir US$ 6 bilhões em bônus globais este ano. "Se as condições do mercado permitirem, vamos emitir", acrescentou. Caso contrário, a Argentina vai buscar o apoio de organizações multilaterias. "Por ora, acreditamos que o mercado estará aberto e que teremos acesso ao mesmo", afirmou. Os US$ 6 bilhões em bônus são parte do programa de financiamento da Argentina com o FMI, disse Fernández.
Fernandez disse que não acredita que a desvalorização do real, que torna os produtos brasileiros mais competitivos, terá "um impacto no fluxo comercial" do Brasil. Ele acrescentou, contudo, que "é cedo para fazer qualquer comentário conclusivo a respeito". Ele reiterou a previsão de crescimento de 3% para a economia da Argentina em 1999. Fernández disse que não será feito qualquer ajuste nas metas econômicas argentinas até o fim deste primeiro trimestre.





