Buenos Aires, 04 (AE) - O governo brasileiro vai esperar até segunda-feira que vem para que a Argentina retire as salvaguardas que aplicou contra os têxteis provenientes do Brasil. A declaração à imprensa foi feita pelo negociador especial do Brasil para o Mercosul, embaixador José de Botafogo Gonçalves, durante uma pausa nas negociações do Grupo Mercado Comum (GMC) realizadas no Palacio San Martín, a Chancelaria argentina.
Segundo o embaixador, a reunião do GMC tem como intenção "o relançamento do Mercosul".
De acordo com o vice-chanceler argentino, Horacio Chighizola, o governo de seu país eliminaria as salvaguardas contra os têxteis no começo da semana que vem. Em troca, ele espera que o Brasil retire a demanda contra a Argentina na Organização Mundial do Comércio (OMC), a qual consideram como uma mancha para a imagem do país no comércio mundial.
Outro conflito comercial pendente, o dos frangos, estaria resolvido parcialmente. Segundo Botafogo Gonçalves, "a Argentina não vai colocar barreiras". No entanto, o embaixador admitiu que existe preocupação em relação a uma resolução da Justiça Federal, que aplica cotas aos frangos provenientes do Brasil. Fontes do lado argentino afirmaram que ambos países chegarão a um acordo sobre os galináceos: "os ares mudaram", disseram. Outro sinal que os argentinos receberam com entusiasmo foi o fim de obstáculos que o alho argentino estava enfrentando para entrar no Brasil nas últimas semanas.
Na reunião do GMC também participam o Uruguai e o Paraguai, que vieram à Buenos Aires discutir o regime automotivo fechado há pouco entre o Brasil e a Argentina. Negociadores uruguaios e paraguaios afirmam que o acordo bilateral foi feito sem ouvi-los. O Uruguai considera que vende pouco no Brasil e na Argentina, e pretende reverter a situação. O Paraguai quer que tratores e máquinas agrícolas não sejam considerados parte do regime, mas somente como "bens de capital". O assunto será discutido amanhã (05) entre os quatro países.
Na agenda do Mercosul também está a relação com a União Européia: uma equipe de vinte negociadores da Comissão Européia está em Buenos Aires para começar nesta quarta-feira uma série de conversações sobre o comércio entre os dois blocos. Além disso, durante a reunião do GMC se analisará qual será a posição do Mercosul para as reuniões da ALCA que se realizarão na semana que vem.
Uma das principais entusiasmadas com a idéia de relançamento do Mercosul é a Secretária de Indústria e Comércio Debora Giorgi
que afirmou que "o relançamento do Mercosul vai potencializar nossa indústria". Referindo-se à eliminação das salvaguardas contra os têxteis, a secretária afirmou que nesse setor, e também em outros, "percebe-se a existência de certa especialização, ou de complementação". Segundo ela, "está surgindo a idéia de um setor têxtil regional, com uma estratégia de integração na Alca".
Giorgi considera que o Mercosul deve ter políticas regionais comuns de defesa em relação a outros países. Ela sustenta que é preciso uma maior integração regional onde cada país ocupe um espaço de acordo com sua capacidade: "a Argentina tem que procurar nichos onde possam ser valorizadas as vantagens comparativas do país, como a alta qualidade da mão de obra e a estabilidade econômica".

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