São Paulo, 23 (AE) - A "saraivada" de contra-retaliações argentinas, prevista pelo diretor executivo da Adebim (Associação de Empresas Brasileiras no Mercosul), Michel Alabay, em entrevista à Agência Estado no início desta semana, parece estar começando.
A partir de hoje (quinta-feira), todas as empresas estrangeiras, principalmente as brasileiras, que pretendam exportar papel para o mercado argentino terão de ter uma licença especial da Secretaria de Indústria e Comércio da Argentina.
A medida, que deve acirrar ainda mais a guerra comercial entre os dois países, foi adotada praticamente uma semana depois que o Brasil decidiu exigir licenças prévias para o ingresso de 400 produtos argentinos ao mercado nacional, o que representa quase 90% da pauta de exportação argentina.
Mas as contra-retaliações argentinas podem não parar por aí. O governo Menem vem preparando um mecanismo que permita a "reserva de uma parcela de mercado interno para os produtores avícolas argentinos".
Nem mesmo o encontro oficial ontem (quarta-feira), em Nova York, entre os ministros de Relações Exteriores do Brasil e da Argentina, Luis Felipe Lampreia e Guido Di Tella, respectivamente, atenuou o clima de Lei de Talião ("olho por olho dente por dente") entre brasileiros e argentinos. A decisão de exigir licença especial para as importações de papel soma-se a outra decidida na semana passada, quando o governo argentino estabeleceu a obrigatoriedade de que papel entre com etiquetas que especifiquem uma série de dados do produto (marca comercial, pureza da mescla utilizada para fazer o papel e país de origem). As duas medidas excluem, no entanto, o papel de imprensa. De acordo com fontes do governo argentino, o Brasil já havia sido informado dessa nova medida.

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