Argentina reduz alíquota de açúcar brasileiro
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE 
Buenos Aires, 20 (AE) - O açúcar brasileiro importado pela Argentina passou, a partir de hoje (20), a ter uma taxa alfandegária menor, ao redor de 17%, de acordo com informações do secretário argentino da Indústria e Comércio, Alieto Guadagni.
Dessa forma, a taxa de importação do açúcar brasileiro, que havia dois anos era de 20%, além de uma sobretaxa que oscilava entre 2% e 5%, foi reduzida em 10 pontos porcentuais sobre essa somatória de taxas alfandegárias. A medida também resultou numa redução real de 5% no valor do produto comercializado na Argentina.
O secretário Guadagni afirmou ainda que, ao contrário do que vinha sendo esperado, a Argentina não pedirá a prorrogação do regime automotivo na próxima reunião de chanceleres do Brasil e da Argentina. A reunião será realizada nos dias 25 e 26, na Granja do Torto, em Brasília.
Período de Transição - Alieto Guadagni explicou que até o dia 1° de janeiro de 2004 vigorará uma período de transição para a instalação do acordo automotivo. As montadoras de automóveis do Mercosul terão de adaptar-se às novas circunstâncias nesse período.
Segundo o secretário da Indústria e Comércio da Argentina, o principal ponto do acordo automotivo é que, a partir de 1º de janeiro de 2000, não poderão mais ser aplicados subsídios às empresas do setor.
Em sua tradicional coletiva de imprensa mensal, ainda dentro do contexto da cúpula de chanceleres do Mercosul, Guadagni também comentou as negociações entre o Brasil e Comunidade Andina.
Acordo - Alieto Guadagni, sutilmente, deixou claro que não aprova as negociações de forma separada do Mercosul. "Quando você tem uma união alfandegária, os acordos só podem ser feitos em bloco." Os compromissos terão de ser honrados, afirmou.
Guadagni, entretanto, defendeu o acordo firmado entre a Argentina e o México, que foi feito de forma separada do Mercosul, em outubro do ano passado. O secretário da Indústria e Comércio da Argentina também falou sobre o intercâmbio comercial Brasil-Argentina.
Segundo afirmou, o valor em dólares das importações argentinas provenientes do Brasil caiu 35% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.
O secretário observou que 87% das importações provenientes do maior sócio do Mercosul caíram 55%, em valor, enquanto 13% das importações tiveram reajuste de 94%.
Maiores aumentos - Entre os produtos brasileiros que mais aumentaram as vendas para a Argentina estão os motores, com crescimento de 346%, a fibra de vidro, com aumento de 228%, os calçados, com 221%, as fraldas, com 132% de incremento, e chapas e tiras de alumínio, com 108%.
O aumento mais significativo ocorreu na venda de tomates. As importações desse produto aumentaram 2.873%. Alieto Gudagni também comentou que a dependência da Argentina em relação ao Brasil já é coisa do passado. Até 1998, segundo o secretário, 33% das exportações argentinas iam para o Brasil; hoje, o índice é bem menor, já que estaria ao redor de 26%.


