Buenos Aires, 05 (AE) - O governo argentino deu um claro sinal ao Brasil de que abandonou seus sonhos de associar-se à Otan. O sinal foi dado pelo vice-chanceler Andrés Cisneros na abertura do seminário "Presente e Futuro da Segurança Internacional". Cisneros ressaltou a importância do Mercosul afirmando que para o governo "é essencial avançar em conjunto, porque outorgamos a nosso processo de integração regional o caráter de prioridade estratégica".
O vice-chanceler anunciou que seu país renunciava à "atraente" possibilidade de associar-se à Otan: "sabemos que é infinitamente mais valioso um passo adiante do conjunto, ainda que seja mais lento o processo de decisão, do que a iniciativa isolada de um só país, por mais atraente que nos pareça".
Não sendo possível uma aproximação individual à Otan, Cisneros disse que seu país espera "um diálogo construtivo entre nossa região e a Otan, e que este diálogo surja de uma participação coletiva da região". Representando a Otan esteve em Buenos Aires o secretário político adjunto da organização, embaixador Klaus Peter Klaiber.
Há quatro meses, o anúncio da pretensão argentina de associar-se à Organização do Tratado do Atlântico Norte foi o estopim de uma crise interna do Mercosul que espalhou-se rapidamente à área comercial. A tensão começou no dia 8 de julho, quando Menem enviou ao presidente Bill Clinton um pedido de incorporação à Otan como "membro-associado ou uma categoria militar a ser estabelecida".
O pedido, feito sem consultar o Brasil, seu principal sócio do Mercosul, com o qual além de laços comerciais também possui um projeto de bloco político e militar conjunto, causou a irritação no gabinete do presidente FHC.
O vice-chanceler Cisneros também destacou a proibição de armas de destruição em massa no Cone Sul o avanço feito na integração nas últimas duas décadas: "quando lembramos que em 1978 estivemos a ponto de entrar em guerra com o Chile e que hoje estamos fazendo manobras militares conjuntas e planificando desenvolvimento de navios para nossas marinhas de forma associada, podemos sentir o progresso e as mudanças reais".
Nos próximos 30 dias o Atlântico Sul será cenário de diversas manobras com as marinhas da região. Pela quadragésima vez será realizada a operação Unitas, que reunirá as marinhas do Brasil, Argentina, Uruguai, EUA, Espanha e Portugal, envolvendo 24 navios e 4972 marinheiros. As manobras começam no Rio de Janeiro no próximo dia 14 e terminam no dia 21 em Salvador, Bahia.
No dia 26 de outubro começa em Salvador a operação Fraterno XIX, com as marinhas da Argentina e Brasil, que tem a intenção de aumentar a operacionalidade das duas forças, com a participação de doze destróieres, 2012 marinheiros e seis helicópteros. Conclui no dia 30 de outubro, no Rio de Janeiro.
Do dia 3 de novembro ao dia 9 será realizado o exercício combinado pós-Fraterno, que irá do Rio de Janeiro à base argentina de Puerto Belgrano, com as marinhas da Argentina, Brasil e Uruguai. O motivo desta operação é a interação de apoio logístico no mar entre navios e aeronaves.

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