Argentina recebe maioria dos investimentos externos do Chile
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Avelino Alves 
Santiago, 18 (AE) - A Argentina, com 397 projetos em desenvolvimento, continua na liderança dos investimentos chilenos na América Latina. A informação é de Héctor Casanuevo, diretor do ProChile, uma espécie de Sebrae andino. Segundo ele, dos US$ 23,714 bi colocados no exterior por mais de 260 empresas chilenas entre 1990 e 1998, os argentinos receberam US$ 9,091 bi (38,3%). A Colômbia embolsou US$ 4,408 bi (18,6%). O Brasil ocupa um modesto terceiro lugar: US$ 2,776 bi (11,7%). Coube à Venezuela, no período, US$ 296 milhões (1,2%). Os outros mercados onde os chilenos têm mais negócios, na região, são Peru, Venezuela e Bolívia.
Os principais setores que recebem injeção de capital chileno no exterior, atualmente, são energia (48,4%) indústria (20,4%), e comércio (5,3%). Dentro do Nafta, os Estados Unidos são os que mais recebem capital do país andino: US$ 1,551 bi em montantes envolvidos em projetos. Deste total, o setor de serviços recebe 41,3%, energia 36,5% e indústria 18,2%.
Desde 74 o país andino recebe investimentos estrangeiros que totalizam US$ 25,5%. Os investidores concentram seus recursos nos setores de minério e florestal. Também indústria e setor de serviços, financeiros, telecomunicações e fundos de pensões tiveram uma maior participação como destino dos capitais externos. "Isso se deve a uma legislação clara para os estrangeiros que querem investir aqui", explica Casanuevo. "Damos às empresas o tratamento e segurança garantidos às nacionais", acrescenta. Entre os principais investidores estrangeiros destacam-se: Estados Unidos, Canadá, Espanha, Reino Unido, áfrica do Sul, Austrália e Japão.
Para Casanuevo, o Chile é mais otimista com o futuro do Mercosul - onde é membro associado, ao lado da Bolívia - do que os próprios signatários do Tratado de Assunção, assinado no começo da década. "Os conflitos recentes entre o Brasil e a Argentina, por salvaguardas, são pontuais e devem ser solucionados em breve", disse o diretor do ProChile. Para ele, se comparado à União Européia, o Mercosul teve avanços rápidos demais no seu pouco tempo de existência. Casanuevo acha que não se deve "desarmar" o Mercosul. "O bloco só precisa de ajustes", diz.


