Argentina reage com ironia à suspensão das negociações
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segunda-feira, 26 de julho de 1999
Por Vladimir Goitia (assinatura obrigatória) 
São Paulo, 27 (AE) - O governo argentino reagiu com ironia à decisão de o Brasil suspender todas as negociações comerciais pendentes - entre elas a do regime automotivo comum e a do açúcar - no âmbito do Mercosul. O ministro de Economia argentino
Roque Fernández, disse "não ser nada razoável a reação brasileira", já que a decisão sobre a imposição de salvaguardas foi tomada dentro das regras estabelecidas pelo Mercosul.
Por sua vez, a chancelaria argentina informou que, até agora, não recebeu pedido algum para uma reunião extraordinária de cúpula. "É a primeira vez na história do Mercosul que um sócio assume tal postura e de tal magnitude política", escreve hoje o jornal Clarín, o mais importante do país. De acordo com o diário
nunca antes, nem mesmo depois de iniciado o bloco, em janeiro de 1995, e muito menos antes das negociações prévias de criação do Mercosul, algum país havia adotado a postura que o Brasil tomou agora.
O governo argentino vem entendendo como "ameaças" a posição do Brasil de, por exemplo, recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). "Há muito mau humor, desinformação e falta de prudência; e não quero contribuir com minhas declarações nesse sentido", disse Jorge Campbell, secretário da Chancelaria argentina, que confirmou que o Brasil não pediu até agora nenhuma reunião de urgência. SALVAGUARDAS -- As salvaguardas adotadas pela Argentina têm como base os acordos no âmbito da Aladi, que, segundo a interpretação argentina, "estão por cima do Mercosul para o caso das quotas". Como o Mercosul as proíbe, a Argentina recorreu à Aladi. A nova interpretação jurídica feita pelos argentinos abre a porta para aplicação de novas barreiras não-tarifárias a produtos provenientes do Mercosul.
É isso, segundo o governo Menem, que alimentou o temor dos brasileiros de que as quotas argentinas se transformem em uma espécie de "moeda corrente", ou procedimento comum. No dia 15 de julho, a Argentina aprovou a aplicação de quotas, até julho de 2002, para produtos têxteis do Brasil, China e Paquistão. "É difícil não escutar as reclamações dos empresários, levando em conta o nível de desemprego e a redução do comércio regional", disse o embaixador argentino, Jorge Hugo Herrera Vegas.
Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil exportou para a Argentina US$ 2,029 bilhões, 40,56% a menos que as vendas feitas no mesmo período de 98, quando exportou US$ 3,414 bilhões. Mas as importações de produtos argentinos por parte do Brasil também caíram significativamente. Nos seis primeiros meses do ano, o País importou US$ 2,283 bilhões em produtos argentinos, 42,5% a menos do que no mesmo período de 1998 (US$ 3,973 bilhões).


