Buenos Aires, 26 (AE-IPS) - O grupo argentino Quilmes se transformou, de maneira silenciosa, na principal força da indústria da cerveja na Bolívia ao entrar nas três principais empresas do setor no país andino. Mais que uma simples operação comercial, a entrada da Quilmes desnudou a fragilidade das empresas familiares diante da expansão dos grandes capitais no cenário da globalização. A operação também dá à empresa as chances de ganhar a chamada "guerra da cerveja" no Cone Sul.
A Quilmes desembarcou há apenas três anos na Bolívia e, na semana passada, conseguiu comprar ações da Cervejaria Boliviana Nacional (CBN), a líder no setor de bebidas alcoólicas e uma das cinco primeiras em todos os outros setores. A empresa argentina comprou 24% da CBN, hoje nas mãos de Johnny Fernández, também prefeito da cidade de Santa Cruz e chefe do partido populista Unidade Cívica Solidariedade (UCS), aliado do governo Hugo Banzer.
Fernández perdeu o controle absoluto de sua emprea quando duas de suas irmãs e a mãe decidiram vender suas ações à Quilmes. A CBN foi sempre uma empresa familiar e serviu para dar popularidade à Johnny e seu falecido pai, Max.
A companhia produz a popular cerveja Paceña e controla mais de 65% do mercado nacional. Em 98 teve faturamento líquido de US$ 31 milhões e exporta 35% de sua produção, a maioria para os países sul- americanos, além de Europa e Estados Unidos.
A empresa Quinsa, radicada em Luxemburgo, é dona de 85% da Quilmes, uma multinacional com sede nas ilhas Bermudas, e os restantes 15% pertencem à Heineken Brouwerijen. A Quilmes tem cerca de 5.200 empregados na América do Sul e fatura US$ 753 milhões por ano, produzindo não somente cervejas mas também água mineral e refrigerantes.
Na América do Sul, a Quilmes controla o mercado argentino e paraguaio. Sua subsidiária é a segunda no Chile. Na Bolívia, a Quilmes tem 24% das ações da CBN, 70% da Cervejaria Taquiña, de Cochabamba, que vende para 15% do mercado boliviano de cerveja e 100% da Cervejaria Ducal de Santa Cruz, que comercializa com 20% do mercado boliviano.
Com suas operações, a Quilmes agora tem 50% do mercado de cerveja na Bolívia. A entrada da Quilmes na CBN, cujo capital declarado é de US$ 125 milhões, sofre resistência de Johnny Fernández que, ao lado do irmão Roberto, tem 21% das ações e ainda conserva a posse da empresa por causa do apoio de outros acionistas.
Johnny já providenciou a busca de financiamentos no exterior com o propósito de comprar mais ações e impedir dar à Quilmes o controle da empresa. "Estamos dispostos a comprar mais ações e evitar que uma transnacional imponha sua forma de administrar", disse o vice- presidente da CBN, Enrique Pacheco.

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