Argentina quer vender mais US$ 1,25 bi em títulos
Buenos Aires, 08 (AE-AP) - O governo da Argentina, maior tomador latino-americano de empréstimos no exterior, informou hoje (08) que pretende vender mais US$ 1,25 bilhão em títulos denominados em dólar até o fim de julho, embora as novas taxas de juros devam elevar o custo dessas captações no orçamento do país, fazendo crescer o déficit fiscal. O momento exato da emissão dos bônus será definido no dia 16, depois que a equipe econômica tiver em mãos os dados sobre o comportamento da inflação no país.
Miguel Kiguel, subsecretário de Finanças, admitiu que o governo terá de aceitar as condições do mercado e pagar mais caro caso não haja uma recuperação nas cotações dos títulos latino-americanos no mercado externo. "Há espaço para ser flexível", disse, "mas temos nossos limites", afirmou o subsecretário que esta semana vai reunir-se com banqueiros e investidores norte-americanos.
A idéia do governo do presidente Carlos Menem é captar US$ 2 5 bilhões no exterior até outubro, antes da eleição presidencial
explicou. Além disso, as autoridades esperam negociar outros US$ 4 bilhões em financiamentos externos, seja na forma de novas emissões ou de novas linhas de crédito - que seriam liberados no fim do ano - para fazer face às despesas do primeiro trimestre do ano 2000.
A preocupação dos investidores internacionais coma desaceleração da economia argentina, a eleição presidencial e as gigantescas necessidades de financiamento externo do país têm exercido fortes pressões sobre as cotações dos bônus latino-americanos nos mercados globais. A remuneração dos papéis referenciais de 30 anos está em torno de 12,5%, cerca de 150 pontos-base acima da taxa cobrada há um mês, com spreads de 653 pontos-base acima do rendimento oferecido nos bônus do Tesouro americano de prazo similar. Este ano a Argentina precisa captar aproximadamente US$ 16 bilhões no exterior. Mas as autoridades do país temem que uma elevação dos juros nos Estados Unidos provoque a fuga de investimentos da América Latina.
O ministro Argentino da Fazenda, Roque Fernández, qualificou hoje de "chantagem" a greve dos produtores agropecuários do país que há três dias paralisam os mercados locais de gado, cereais e grãos. Os ruralistas fecharam ontem as estradas das províncias de Córdoba, Entre Ríos e Santa Fé com seus caminhões e tratores em sinal de protesto pelas tentativa de cobrar imposto de renda sobre o lucro presumido e para exigir a adoção de novas medidas de auxílio ao setor.
Hoje, no mercado de Liniers, em Buenos Aires, o maior do país
foram oferecidas em leilão apenas 117 cabeças de gado, ou apenas 1% da média diária de 9 mil reses. Nos mercados de grãos e cereais a atividade também foi praticamente nula.
"Nossa proposta é não responder à chantagem" disse Fernández que, no entanto, parece ter desistido de anular as medidas de ajuda aos produtores rurais já anunciadas. Entre as propostas para o setor figuram a concessão de créditos e a redução dos preços dos pedágios. A paralisação, que atinge pequenos e médios produtores, termina quinta-feira.





